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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Margarida Rebelo Pinto - Diário da tua ausência

Não escolhemos quem amamos nem escolhemos quando deixamos de amar.
Não importa que existam quilómetros imensos a separar-nos, nem importa que no fundo saibamos que a história não vai dar certo; quando amamos não somos capazes de desistir, não somos sequer capazes de aceitar que talvez o amor não vença tudo; e sofremos e choramos e juramos esquecer e depois ele volta e nós perdoamos tudo e fazemos mais juras de amor e prometemos a nós mesmas não deixar que o medo dele impeça que o nosso amor se transforme numa realidade feliz e eterna... 
Mas a verdade é que às vezes gostar não chega, é que às vezes o medo e a distância são mais fortes do que a nossa determinação e a nossa vontade de fazer dar certo, a verdade é que por vezes o amor não vence e nós choramos, choramos como se não houvesse amanhã porque no nosso coração o amanhã deixou de existir e tudo porque aquela pessoa não estará lá.

Margarida Rebelo Pinto é talvez das escritoras que melhor sabe falar de desilusões amorosas, que melhor toca os corações, porque todos nós já fomos magoados e em algum momento nos revemos nas palavras que ela escreve.
Para mim um livro fantástico, um livro de amor, de esperança, de sonhos.. mas também de "desamor", da constatação da realidade, da prova que por vezes o amor não vence tudo e é tão difícil admitir isso..
Totalmente aprovado e totalmente recomendado - quem tiver no meio de uma crise amorosa é melhor ler com a caixa de lenços ao lado. (Na minha opinião só vale ler Margarida Rebelo Pinto quando estamos mal, ela não tem de todo o mesmo sabor quando lemos felizes da vida).



"Estas respostas vagas e tão imprecisas só me confundiram ainda mais. Não que ele não tivesse direito a elas, eu é que nunca as soube aceitar."

"Tudo em mim se habituara a ele; o meu corpo, o meu coração, os meus olhos, o meu sono. E agora, que ele estava a sair da minha realidade de uma forma irreversível. Era como se me arrancassem os membros, sentia-me paralisada; perdida, sem saber para onde ir, assustada e ferida sem sequer acreditar no que me estava a acontecer."

"Cada um tem o seu destino nas mãos e somos nós e só nós, responsáveis pelo que acontece"

"A dor da perda não diminui com a lucidez nem se dissipa na razão. A dor tem vida própria."

"Não sei se o tempo curou a tristeza. Mas quero acreditar que sim."

"Tenho sempre coisas para dizer aos outros e sei que os outros nem sempre têm tempo ou vontade para me ouvir"

"Não é vontade, é necessidade"

"Sabes o efeito devastador que a tua voz causa em mim?"

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Ditado pelo Espírito de Patrícia e escrito por Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho - Violetas na Janela

O que acontece quando morremos?
Existe um céu? E se sim, como é que ele é?
Podemos ver a terra? E voltar?
Conseguimos proteger aqueles que amamos?

Patrícia faleceu aos 19 anos e este livro é o seu relato do que encontrou quando chegou ao céu, as dúvidas, os aprendizados e as descobertas.

É complicado falar sobre este livro porque não sei se acredito ou não (acredito na vida depois da morte, só não sei se ela será como relatada neste livro).
Nunca imaginei que quando morrêssemos tivéssemos uma vida quase igual à que temos na terra - sem os vícios e o sofrimento - e é isso que este livro diz, que existe vida após a morte e que ela pode ser maravilhosa se estivermos dispostos a aprender.
Acho que é daqueles livros que só lendo para se ter uma opinião acerca dele, mas é sem dúvida uma leitura curiosa e que nos faz pensar.



"O amor permanecia para além do tempo e do espaço."

"O amor une"- Avó Amaziles

"O recém-nascido de hoje será o homem de amanhã" - Maurício

"Amor de mãe é como um farol a iluminar os seus entes queridos e a perfumar as suas existências."

"Não podemos separar a nossa vida, ela é um todo."

"Saber depende da nossa vontade."

"Para ser útil com sabedoria, é preciso conhecer." - Frederico

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Ursula Doyle - Cartas de amor de grandes mulheres

O livro foi escrito para o filme "O sexo e a cidade" mas foi tão procurado que acabou por ser realmente editado.
Consiste na compilação de cartas de amor escritas por mulheres que de alguma forma deixaram o seu nome na história.
Eu pessoalmente gostei mais da introdução a cada uma das mulheres, que nos permite "conhece-las" e situa-las no "mundo" do que das cartas em si, até porque algumas nem me parecem cartas de amor.

Enfim, achei que é um livro mais ou menos, nem bom nem mau - esperava mais.



"Suponho que estava à espera do homem sem o qual não conseguia viver." - Nora Doyle

"Prometo eu que os meus olhos vos desejam mais do que a qualquer outra coisa." - Catarina de Aragão

"A enorme distância entre nós faz com que o tempo me pareça muito longo." - Abigail Smith Adams

"Diz Polibius que, como não há nada mais desejável ou vantajoso do que a paz, quando encontrada na justiça e na honra, também não há nada mais vergonhoso e, ao mesmo tempo mais pernicioso, quando é obtida por más medidas e comprada com o custo da liberdade." - Abigail Smith Adams

"A lembrança faz com que o meu coração esteja ligado a ti." - Mary Wollstonecraft

"Acredito merecer o teu carinho, porque sou verdadeira e tenho um grau de sensibilidade que consegues ver e apreciar." - Mary Wollstonecraft

"Encontrei novamente o meu coração, e como ele sempre será; há sentimentos que vivem por si mesmos e que só podem terminar juntamente com ele." - Maria Joséphe-Rose Tascher de La Pagerie (Imperatriz Josefina)

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Teresa Lopes Vieira - Os diários da mulher Peter Pan

Diana vive com a família e está a passar uma crise de meia idade em que a monotonia é tudo o que ela vê, uma viagem em trabalho ao Equador e um acidente ao qual sobrevive muda-lhe as "prioridades" e decide conhecer-se melhor a si mesma.

Este livro irritou-me profundamente - provavelmente porque eu sou muito responsável e ver a irresponsabilidade da personagem irritou-me mesmo, porque raio é que as pessoas têm a mania de que é preciso irem para o outro lado do mundo para se encontrarem?
No entanto e apesar de os dois primeiros capítulos estarem escritos de forma arrogante e de a história em si me irritar, o final surpreendente dissipa todos os sentimentos menos positivos sobre o livro.
Não é um livro que eu ache fascinante mas acho que vale pelo seu final; além disso a pessoas menos responsáveis que eu (ou com uma mente mais livre), ele é capaz de não irritar.

E só assim por curiosidade, como é que ela tem um acidente de avião no meio da selva e nem se digna a procurar o piloto para saber se está vivo? Não me passa pela cabeça ter um acidente e nem me preocupar em ver se os outros estão vivos... Mas pronto, lá está, eu sou toda certinha.



"A vida até aos 18 anos é feita de sonhos, depois disso de obrigações."

"A racionalidade esvaía-se do seu ser a cada instante que passava."

"Chorar é o que as pessoas fazem quando ainda têm esperança; chorar é o ganido do humano que pede ajuda ou perdão."

"Desistir seria trair-se a si mesma."

"A vida continua, mesmo quando não somos capazes de participar nela."

"A depressão é um mal invisível, fatal por ignorarmos onde e como nos ataca, o veneno de uma cobra, que se alastra demasiado por não conseguirmos identificar a mordida."

"Porque será que os seres humanos têm tanto medo do desconhecido?"

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Quirimbo 70 - O filho da preta

Às vezes aquele que nos devia amar é aquele que nos renega e aquele que - supostamente - tinha todos os motivos para nos renegar é aquele que nos quer incondicionalmente.

Um relato de um filho rejeitado e esquecido pelo próprio pai e a superação de quem tinha tudo para falhar, mas venceu.

O livro é super simples, a escrita é simples, a história é simples, as personagens são simples mas é uma simplicidade que não irrita, que se lê bem.
Gostei do livro, teve a capacidade de me irritar, de me emocionar e de me fazer sorrir no final.


quinta-feira, 4 de junho de 2020

Olivier Rolin - O meu chapéu cinzento

O livro é composto por pequenos textos sobre algumas cidades - Alexandria, Havana, Atenas, Açores, Lisboa e Goa - mas - na minha opinião - falta paixão na escrita, ler o que ele escreve não nos faz ter vontade de conhecer a cidade em questão; são descrições vazias de emoção e por vezes confusas.
Não é definitivamente um livro que recomende e o único texto de que gostei realmente foi o que fala dos Açores, porque tem alguma história e dá para aprender algumas coisas.
(os textos foram escritos entre 1986 e 1996.)



"Aquele que se sente deslocado não permanece em lugar algum."

"Só nos apercebemos vagamente de tudo o que diz respeito à literatura; de outro modo, estamos a ser pretensiosos."

"Por mais que se diga que o mundo é igual em toda a parte, isso não é verdade."

"A igreja é o porto da alma."

"A morte é o nosso desembarcadouro e a nossa última morada."

"As desgraças acontecem sempre às pessoas de quem gosto."

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Rachel King - A música das borboletas

E se para salvar centenas de pessoas tivesses de sacrificar dois amigos?

Thomas é um apaixonado por borboletas e sonha encontrar uma que nunca ninguém conseguiu capturar. Quando é convidado a fazer uma expedição pela Amazónia Thomas acredita que chegou a hora de realizar o sonho.
No entanto algo corre terrivelmente mal e o Thomas que volta não é de todo o mesmo que foi, Sophie a sua mulher vai tentar quebrar o mutismo e as novas barreiras do marido. Será que consegue e valerá a pena o risco?


Embora longe de ser um daqueles livros que nos prendem tanto que não conseguimos deixar de ler, "A música das borboletas" é um bom livro, com factos inesperados e que não nos deixa adivinhar-lhe os próximos capítulos.
É preciso ler para saber o que acontece, nunca conseguimos prever o que vem a seguir e por isso mesmo vale a leitura.



"Aqui a noite está quente mas fria sem ti."

"Basta saber ler, [...], para nos cultivarmos."

"Nunca te rales com o que os outros pensam de ti, filha. Só tens de prestar contas a ti mesma e a Deus. Só a esses dois. E Deus ama-te, faças o que fizeres."

"O mundo não é exactamente como imaginavas que fosse, pois não?"

"É tão fácil arranjar desculpas para o nosso próprio comportamento."

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Linda Howard - Íntimo e Perigoso

Devemos julgar alguém sem o conhecer?
E devemos confiar em alguém apesar de o julgarmos conhecer?
E quando nos vemos nas mãos de um desconhecido, o que fazer?
A vida muda em segundos e às vezes temos de mudar com ela, porque nem sempre, tudo o que parece, é.

Um excelente livro, bem escrito, o que proporciona uma leitura rápida e agradável, onde muitas vezes reina o humor mas também o inesperado.
O final não é de forma alguma previsível.
É um daqueles livros que dá gosto ler. Totalmente aprovado.


"Não entro na casa de banho dos homens. Costumava pensar que os homens eram humanos, mas entrei numa casa de banho masculina uma vez e quase desmaiei com o choque. Se entrasse noutra, acabaria por sofrer de problemas psicológicos."

"Não tinha qualquer intenção de desistir, apesar de se sentir tão exausto que a desistência seria mais fácil do que passar por aquilo tudo."

"Qualquer situação em que as hormonas se sobrepusessem à capacidade decisória do cérebro seria trágico."

"O amor e a paixão deviam trazer avisos bem visíveis dizendo: cuidado, pode causar estupidez."

"Vagueava como um fantasma à procura da sua alma."

"Nunca antes o sentira, nunca antes o quisera. A melhor forma de salvaguardar as suas emoções fora manter as pessoas à distância, confiando apenas em si própria. Aprendera-o com lições precoces e duras."

"Pare de se massacrar. Não é responsável pelo mundo."

"A vida parecia ter só complicações."

"Se lhe desse sexo, pararia com a ofensiva sobre o seu coração porque pensaria já ter ganho. As emoções permaneceriam a salvo."

"Queria acreditar no «felizes para sempre», num amor que durasse uma vida."

"O sexo era a última coisa em que pensava...antes de adormecer. E a primeira coisa em que pensaria ao acordar."

"Encaixavam como duas peças de um puzzle."

Manteve as pessoas à distância porque sabe que tem um coração de manteiga e a melhor forma de se proteger será não permitindo que se aproximem."

"Um total cansaço da alma."

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Ken Follett - O vale dos cinco leões

E quando nada é o que parece ser e acabas a confiar a tua vida às pessoas erradas?

Jane vive em Paris, namora com Ellis - um tipo imprevisível e de quem ela nunca sabe o que esperar - e tem como apaixonado Jean Pierre - que é - supostamente - o oposto de Ellis.
Um dia Jean Pierre conta a Jane que Ellis é um agente da CIA e que andou a espiar os seus amigos. Jane fica furiosa acaba tudo com Ellis, casa com Jean e parte para o Afeganistão convencida que vai ajudar a mudar o mundo.
Mas as coisas não são bem assim, Jean não é quem Jane pensa ser, não tem o carácter que esta pensa ter e está disposto a tudo para a manter e melhorar a sua vida.
Como lidará Jane com a situação? Como conseguirá sair do Afeganistão?

Este livro é muito, muito bom.
É completamente viciante, queremos sempre saber o que vem a seguir, ficamos "nervosos" com os acontecimentos, pensamos "e agora?", irritamo-nos com as personagens e ficamos presos até à ultima linha do livro.
Recomendo muito.

Adoro livros assim, que misturam paixão, drama, suspense e história; onde no meio do caos conseguimos aprender qualquer coisa e perceber - mais uma vez - o que a ambição do Homem faz.



"Amei-te por seres diferente, louco, original e excitante, nunca se sabia o que eras capaz de fazer. Porém, não és um chefe de família."

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Inês de Barros Baptista - Morrer é só não ser visto

O livro é uma junção de textos de várias pessoas sobre a forma como encararam as perdas da vida, como viveram os seus lutos e como superaram a dor.

Uns acreditam na vida depois da morte, que não morremos e apenas mudamos de dimensão; outros não sabem o que acontece, não tem uma crença sobre o assunto mas gostam de pensar que existe um céu e depois há quem ache que a morte é o fim de tudo, que não existe uma continuidade, que quando se morre tudo acaba.
Há quem já tenha conversado com os mortos, quem os tenha sentido e quem ache tudo isso um disparate.

A verdade é que todos temos uma forma própria de fazer o luto, de lidar com a dor, de continuar a viver... O livro é no fundo e como a própria autora o diz: "Falar do luto de coração aberto.", um livro que pretende mostrar que por maior que seja a dor, o caminho é em frente e é sempre preciso continuar a viver.


"Saudades para quê?
Dizes tu,
Saudades do quê se vamos voltar a estar juntos?"

"Se todos tivermos algo em que acreditar, tudo se torna mais fácil." - Duarte Rendas

"Calar a dor não é, seguramente, a melhor forma de a resolver." - Joana Cruz

"Que ninguém chegue junto de ti e parta sem estar mais feliz." - Madre Teresa de Calcutá

"Não adianta remoer. Não adianta ficar presa a essa dor." - Maria José Norte

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Hugh Prather - Amor e coragem

O livro é um bocadinho do diário do autor, são excertos daquilo que ele escreveu em determinados momentos.
Não é um livro que vá mudar a nossa vida mas tem pensamentos interessantes e vale a pena ser lido - porque nem todos os livros mudam a nossa vida, mas todos nos ensinam algo.


"Os preconceitos são cegos."

"Não existem pessoas insignificantes."

"O crescimento individual não pode sobrepor-se aos relacionamentos, pois quando isso acontece deixa de ser crescimento."

"Há um tipo de sofrimento que está muito para além das palavras."

"Somos nós que pomos limites às formas de amor que podemos viver."

"O início da mudança ocorre quando uma pessoa aprende a aceitar-se a si própria."

"Os nossos erros são apenas circunstâncias em que limitámos as nossas opções."

"Não é realista, nem razoável, contar que outro ser nutra mais respeito pela minha pessoa que eu próprio."

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Paulo Coelho - Ser como o rio que flui

O livro é composto por vários textos que o autor foi escrevendo ao longo dos anos e acabou por juntar num livro.
Os textos são diversos e variam entre pensamentos, trivialidades, lendas e opiniões.
Em quase todos há uma lição a tirar, uma frase que nos faz pensar e uma ou outra que nos arrancam sorrisos.
E ao contrário do que possa parecer por ter textos tão variados não é um livro pesado, pelo contrário é muito fácil de ler e perceber, gostei.



"Tento nunca pensar em quem sou"

"Não tenho perguntas nem respostas, vivo por inteiro no momento presente."

"Quando algo indesejável crescer na minha alma, peço a Deus que me dê a mesma coragem para arrancá-lo sem nenhuma piedade."

"Uma acção é um pensamento que se manifesta."

"Um guerreiro da luz, depois de cumprir o seu dever e de transformar a sua intenção num gesto, não precisa de temer mais nada: ele fez o que devia. Não se deixou paralisar pelo medo - mesmo que a flecha não atinja o alvo, ele terá outra oportunidade, porque não foi cobarde."

"Aprende a suportar algumas dores, porque elas farão de ti uma pessoa melhor."

"Corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente mau, mas importante para nos manter no caminho da justiça."

"Presta sempre atenção àquilo que acontece dentro de ti."

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Jose Rodrigues Dos Santos - O setimo selo

Eu sei que as pessoas se esquecem, mas só temos um planeta e está na hora de cuidarmos deles.

O primeiro livro que li do José Rodrigues dos Santos foi "A filha do capitão", há muitos anos - tantos que nem me recordo da história - e lembro-me que na altura gostei muito. Tendo isso em conta e o enorme sucesso do autor, tinha grandes expectativas para este livro, mas fiquei desiludida.

O livro começa de um forma fantástica e rapidamente fiquei presa à história e a querer saber o que vem a seguir, o problema é que o autor perde-se nas explicações e o livro acabou por se tornar demasiado cansativo.
A personagem principal é – supostamente – uma pessoa culta e por isso não faz sentido absolutamente nenhum que precise que lhe expliquem a mesma coisa 3 vezes, a mesma coisa é explicada tanta vez que acaba por se tornar aborrecido.
Eu entendo que o autor queira escrever para um público vasto mas nesse caso criava uma personagem menos culta, para que as repetidas explicações fizessem sentido.
Se eu pudesse retirar todas as páginas de explicações repetidas (que deve ser quase metade do livro), este seria sem dúvida um livro excelente, a história é boa, está bem desenvolvida e queremos saber o desfecho, o problema é que não lhe podemos retirar páginas e por isso em vez de ser um livro muito bom, é apenas um livro mais ou menos.

 A história vira à volta dos interesses do petróleo e do aquecimento global (e é incrível como continuam a ser assuntos tão actuais e o livro continua a fazer tanto sentido).



"Prolongamos a vida e a partir de um certo limite, começamos a vegetar."

"As cifras decifram-se, os códigos descodificam-se."

"Tjukurpa" - Quer dizer tempo de sonho (não me lembro em que língua).

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Souad - Queimada viva

E quando aqueles que nos deviam proteger são os mesmos que nos querem ver morta?
Quando a religião é distorcida ao ponto de o amor ser substituído pelo ódio?
Quando a vida humana vale menos do que a reputação de alguém?

É surreal saber que estas histórias não só são reais como continuam a acontecer nos dias de hoje.

Na Cisjordânia as mulheres simplesmente não têm direitos, não vão à escola, são tratadas como escravas pelos pais e posteriormente pelos maridos, levam tareias enormes de ambos, não podem olhar nem falar com um homem, são consideradas apenas um objecto, uma propriedade. E para elas isso é normal, é a única realidade que conhecem, elas não sonham que existe um mundo à parte, um mundo onde as mulheres têm direitos, um mundo onde levar tareias e ser escrava não é e não pode ser considerado normal.

Este livro chocou-me a todos os níveis, não consigo perceber como se criam homens para ser monstros.. Souad cometeu um "erro", o de se apaixonar e engravidar sem estar casada, por isso foi queimada viva e grávida, sobreviveu e conta a sua história.

Um relato impressionante e doloroso, que nos faz agradecer por termos nascido num país minimamente civilizado.



"Tinha medo desta vida e ninguém compreendia isso."

"Não podemos esquecer a nossa própria morte."

"Agora protege-me. Se não me protegeres não és um homem."

"O que ele faz com o meu corpo não é importante, é com a cabeça que eu o amo."

"Vou morrer. Não importa. Talvez já esteja morta."

"Impedi-la de morrer é uma coisa, ajudá-la a renascer é outra."

"O sorriso é uma forma de oferecer felicidade aos outros, mas não necessariamente a minha."

"Há algo que se quebrou em mim e, muitas vezes, as pessoas não se apercebem porque sorrio sempre por delicadeza, por respeito pelos outros."

"É muito bonito dizer «quero morrer». E os outros?"

"À força de querermos esquecer, acabamos por esquecer de facto."

"Eu estava morta na minha cabeça, tinha água em vez de ideias, não sabia o que fazia."

"Não tinha nada na cabeça, apenas medo."

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Maria João Lopo de Carvalho - Adopta-me

E quando ninguém quer saber?
Quando passamos a ser invisíveis e já ninguém quer perder tempo a tentar mudar o mundo?
Quando a burocracia engole os sonhos ou quando a realidade nos cria carapaças que nos roubam a humanidade?

Este é daqueles livros que me conquistou completamente, não pelo romance paralelo que o livro nos conta - porque ai confesso que o achei completamente dispensável - mas sim porque nos mostra a dura realidade de algumas coisas que partimos do principio que são básicas e fáceis de resolver.

A personagem do livro é uma vereadora da Câmara de Lisboa, que nos vai mostrando algumas realidades dos bairros problemáticos da capital, como por exemplo a enorme burocracia que é necessária para fornecer uns meros cortinados a uma escola - algo que me deixou de boca aberta - ou como muitas vezes as crianças deste bairro são deixadas à sua sorte, sem ninguém que se interesse por elas, sem ninguém que se preocupe de verdade, que lhes mostre o rumo, que lhes diga que o futuro existe e pode ser risonho.

Um livro que nos faz pensar e ver além da nossa "bolha" e nos mostra problemas que nem sabemos que existem.
Recomendo muito.


"Os homens podem não ser todos uns cabrões."

"Há contas que se fazem com o coração."

"Falo com o coração, que é a unica maneira que tenho de me safar. Na minha ingenuidade, acredito que também quem ouve, ouve com o coração."

"A vida é uma idade quase toda feita de espaços em branco."

"Ou me perco aqui ou fujo daqui. Por uns tempos, preciso de recuar, preciso de ir ver outros caminhos. Preciso de um campo aberto para as lágrimas, preciso da distância de um lugar secreto, de uma memória, se calhar da distância de uma oração. Preciso de me ir embora daqui."

"Ser criança cansa... Ser adulto cansa muito mais."

"Tenho de aprender a blindar-me. Isso aprende-se? Onde?"

"O tempo não se controla."

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Jodi Picoult - Para a minha irma

Não há maior amor no mundo do que o amor de um pai por um filho.
Mas e quando para salvar um temos de fazer sofrer outro?
Será justo?

O livro fala-nos de um casal perfeitamente normal com dois filhos saudáveis e que um dia recebe a terrível noticia de que a filha tem leucemia. Depois de ponderarem as opções, eles decidem ter um terceiro filho (Anna) para usar as células do cordão umbilical no tratamento da filha doente. No entanto as coisas não correm bem e durante anos Anna é sujeita a procedimentos médicos para ajudar a manter a irmã viva. Um dia ela decide que já chega e coloca os pais em tribunal de forma a que seja ela - e só ela - a decidir se quer ou não ajudar a irmã..

E é aqui que todos ficamos divididos..
O que faríamos se estivéssemos no lugar dos pais de Anna? É justo usar uma criança vezes e vezes sem conta sujeitando-a a procedimentos arriscados para salvar outra? Mas será justo não a usar e deixar morrer a outra filha?
Uma daquelas histórias que nos deixam com um nó no estômago porque não existe o certo e o errado e nenhum pai gostaria de estar nesta situação.

O livro é simplesmente fantástico e recomendo muito.


"Se os extraterrestres viessem à terra hoje e observassem com atenção porque é que os bebés nascem, chegariam à conclusão que a maioria das pessoas têm bebés acidentalmente, ou porque bebeu demais numa determinada noite, ou porque os anticoncepcionais não são 100% eficazes, ou por milhares de outras razões que na realidade não são lisonjeiras."

"Sem ti não consigo saber quem sou."

"Eu levo-a comigo, para onde quer que vá."

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Marta Gautier - Tanto que eu não te disse!

E quando nada faz sentido?
Quando sair da cama é uma coisa tão difícil como escalar uma montanha?
Quando sorrir exige um esforço sobrenatural?
Quando é suposto sermos felizes e não somos?

Este livro conta-nos a história de uma mulher depressiva e a forma como encara a sua vida e as suas dificuldades.

Li este livro duas vezes em alturas completamente diferentes da minha vida. Em nenhuma das duas me consegui sentir cativada, nem pela história, nem pela escrita e nem pela personagem.
Vi imensas criticas positivas depois de o ter lido pela primeira vez, criticas que o consideravam como "uma viagem aos tormentos da mente humana" e pensei que talvez o problema fosse eu, talvez eu fosse muito prática e pragmática para entender o objectivo do livro e por isso anos mais tarde dei-lhe uma segunda oportunidade e voltei a reler, mas o sentimento foi o mesmo. Não consigo sentir empatia com a personagem, não consigo ver nela uma depressão crónica, olho para a personagem e só consigo ver aquelas pessoas que reclamam com tudo e que nunca estão satisfeitas e que culpam o mundo inteiro pelos seus próprios fracassos.
Apesar disso o livro tem frases muito boas que me fazem sentir que apesar de não gostar de mais nada nele, ele vale a leitura.

Alguém por ai já leu? Que opinião tem sobre ele?



"Amas-me? Se me amas estás doente, porque eu não sou nada. Juro que não te faço feliz. Se gostas de mim, és estúpido."

"Os teus olhos são perversos, disfarçados de cordeiros, não passam de lobos a devorar-me a liberdade"

"Levanta essa cabeça, mexe essas pernas e segue a tua estrela"

"Que dor não estares aqui para me aquecer. Saudades do teu riso"

"Desencontros permanentes que vão pesando sobre mim"

"Acredito no amor [...] No dia em que deixar de acreditar posso enlouquecer!"

"Hoje não quero ser louca"

"Amar é reconhecer o outro como diferente e não como um prolongamento de nós mesmos"

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Dorothy Koomson - A filha da minha melhor amiga

Uma vida quase perfeita, um namorado que amamos e que nos ama, uma melhor amiga que nos completa, planos para o futuro que de repente mudam totalmente.

O que faríamos se descobríssemos que a filha da nossa melhor amiga, aquela menina que tanto amamos, é na verdade fruto de uma noite da nossa amiga com o nosso namorado?
Como reagiríamos à traição? E se dois anos depois de virarmos costas aos dois e os apagarmos da nossa vida descobríssemos que a nossa melhor amiga está a morrer e ela nos pedisse para adoptar a filha dela? Conseguiríamos lidar com os fantasmas do passado?

Um excelente livro que mostra que não adianta fugir dos problemas, eles vão connosco para onde quer que se fuja, e que há pessoas que aconteça o que acontecer, nunca deixaremos de amar.


"Sorriu porque vocês são meus irmãos e riu porque nada podem fazer para evitá-lo."

"Andava cansada à tanto tempo que já nem me lembrava desde quando, pelo menos com exactidão."

"Por mais que dormisse, estava sempre cansada. Visceralmente cansada."

"Não acreditei. Não, não é verdade. Eu acreditei, só não compreendi. Não compreendi porquê. Nem como. A mim não."

"Eu chorava, soluçava e gemia. Sim, gemia. Fazia um barulho medonho enquanto me desfazia num milhão, num trilião de pedaços."

"Cada aniversário é um bónus."

"A porta estava entreaberta e não se queixou quando eu a empurrei devagarinho. Não bati. Nunca batia a uma porta já aberta. Pois, para mim isso queria sempre dizer «entre, não é preciso bater»."

"Ela sempre tivera mais estilo do que juízo."

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Corinne Hofmann - Casei com um massai

Corinne é uma empresária Suiça que numas férias ao Quénia se apaixona por um Massai e que quando regressa ao seu pais decide vender tudo para regressar ao Quénia e procurar o seu Massai.
Começam aqui uma série de aventuras...

Para mim este livro é a prova de como o amor afecta a cabeça de uma pessoa.
Esta mulher deixou tudo para viver no meio do mato com o homem que amava, sem luxos e muitas vezes sem comida, tolerou coisas que me irritaram só de as ler e só desistiu quando o amor acabou.
Não consigo decidir se o livro é uma prova de amor ou de loucura (embora ache que o amor em si tem sempre uma dose de loucura) mas a verdade é que mesmo depois de acabarmos o livro queremos saber o que se passou a seguir e como é que ela retomou a sua vida.
Vale a pena ler, porque o amor está sempre pronto a enfrentar as barreiras.



"Tudo se pode aprender."

"Vivo vazia perante mim própria."

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Brian Weiss - Só o amor é real

Já vos aconteceu olharem para alguém e sentirem que conhecem aquela pessoa de algum lado, mesmo que nunca a tenham visto na vida?
Já sentiram uma ligação que vai para além da lógica?
Um amor que parece ter sido à primeira vista?

Brian Weiss é um famoso psiquiatra norte-americano especialista em regressões a vidas passadas; ele acredita que muitos dos nossos traumas nesta vida estão relacionados com acontecimentos que vivemos em outras vidas e mais importante, ele acredita que todos temos almas gémeas e que as vamos encontrado ao longo de várias vidas.
Os pais, os irmãos, os amigos, os amores, segundo Brian Weiss,  esta não é a primeira vez que vivemos e gostamos de certas pessoas..
Este livro fala de algumas regressões e de pessoas que descobriram que a pessoa que amam nesta vida, já as acompanha há várias vidas...
Brian Weiss faz-nos acreditar em finais felizes, afinal se não for nesta, teremos sempre outra vida para tentar :)


"O destino dita o encontro entre almas gémeas. Encontra-las-emos. Mas o que decidimos fazer após esse encontro cai no campo da livre escolha. Uma escolha errada ou uma oportunidade desperdiçada pode conduzir a incrível solidão e sofrimento."

"Há sempre alguém especial para cada um de nós. Frequentemente existem dois ou três, ou mesmo quatro. Provêm de diferentes gerações.Viajam através dos oceanos do tempo e das profundezas das dimensões celestiais para estarem novamente connosco. Vêm do outro lado, do céu. Estão diferentes mas o seu coração reconhece-os. Coração esse que os teve nos braços de que então dispunha... Estão unidos pela eternidade e nunca estarão sós.
A sua cabeça pode dizer: «Mas eu não o conheço». Mas o seu coração sabe que não é assim.
Ele pega-lhe na mão pela primeira vez, e a memória do seu toque transcende o tempo e perturba profundamente todos os átomos do seu ser.
Ela olha-o nos olhos, e você vê nela uma alma que foi sua companheira através dos séculos. O seu estômago revira-se. Os seus braços ficam arrepiados. Tudo o que é exterior a este momento perde importância.
Ele pode não a reconhecer, mesmo que finalmente se tenham encontrado de novo, mesmo que você o reconheça. Você consegue sentir o laço da união. Consegue ver o potencial, o futuro. Mas ele não. Os seus medos, o seu intelecto, os seus problemas mantêm um véu sobre os olhos do seu coração. Ele não a deixa ajudá-lo a remover esse véu. Você lamenta-se e sofre, e ele segue o seu caminho, O destino pode ser tão volúvel.
Quando ambos se reconhecem, nenhum vulcão poderia entrar em erupção com mais paixão. A energia libertada é tremenda.
O reconhecimento das almas pode ser imediato. Um sentimento súbito de familiaridade, a sensação de conhecer esta nova pessoa a uma profundidade muito além daquela que a consciência permitiria... saber intuitivamente o que dizer, como vão reagir. Um sentimento de segurança e confiança muito maior do que aquele que alguma vez poderia ser conquistado num dia, numa semana ou num mês.
O reconhecimento das almas pode também ser lento e subtil. Uma alvorada gradual à medida que o véu é gentilmente removido. Nem todos estão preparados para o reconhecimento imediato. Há que dar tempo ao tempo, e muita paciência pode ser necessária para aquele que vê primeiro."


"Uma dor profunda envolvia o seu coração. Sentia-se enfraquecida e de alguma forma carente."

"Ela sentiu como se o seu coração tivesse sido despedaçado e arrancado."

"Não tinha ninguém com quem partilhar os seus medos e a sua dor.
[...] Assim, manteve-se fechada, no seu desespero, e os dias decorriam cada vez mais pesados."

"Não te vou deixar - Amar-te-ei para sempre."

"Sentiu um enorme e profundo vazio no seu coração e na sua vida. Parecia que nunca mais poderia vir a sentir-se inteira. Durante meses, chorou."

"Tinha perdido a sua conselheira e confidente diária, a sua amiga mais intima.
Tinha perdido a sua principal fonte de orientação e apoio.
Ela sentia-se desorientada, só, à deriva."