sexta-feira, 24 de maio de 2019

Vive!

Porque adias os teus sonhos para amanhã se nem sequer sabes se o amanhã vai chegar?
Porque deixas a felicidade para depois se o depois nunca é garantido?
Porque usas o tempo como desculpa se na verdade não sabes quanto tempo tens?

Pára de adiar o que queres fazer, pára de deixar as coisas para depois.
Vive o hoje, aproveita cada momento como se fosse o último - porque na verdade pode realmente ser o último.
Mata as saudades dos amigos que não vês à tanto tempo porque estão sempre todos muito ocupados, vai ao teu restaurante favorito, diz às pessoas que as amas, estabelece metas, realiza sonhos.

A vida é muito mais curta do que aquilo que desejamos, então vive-a, vive-a sem medo, sem arrependimentos, sem pensar no que teria acontecido se tivesses tido a coragem de fazer o que querias fazer.

Vá lá, arrisca-te a ser a pessoa que sempre quiseste ser.
Arrisca e sê feliz!


quinta-feira, 23 de maio de 2019

Jose Rodrigues Dos Santos - O setimo selo

Eu sei que as pessoas se esquecem, mas só temos um planeta e está na hora de cuidarmos deles.

O primeiro livro que li do José Rodrigues dos Santos foi "A filha do capitão", há muitos anos - tantos que nem me recordo da história - e lembro-me que na altura gostei muito. Tendo isso em conta e o enorme sucesso do autor, tinha grandes expectativas para este livro, mas fiquei desiludida.

O livro começa de um forma fantástica e rapidamente fiquei presa à história e a querer saber o que vem a seguir, o problema é que o autor perde-se nas explicações e o livro acabou por se tornar demasiado cansativo.
A personagem principal é – supostamente – uma pessoa culta e por isso não faz sentido absolutamente nenhum que precise que lhe expliquem a mesma coisa 3 vezes, a mesma coisa é explicada tanta vez que acaba por se tornar aborrecido.
Eu entendo que o autor queira escrever para um público vasto mas nesse caso criava uma personagem menos culta, para que as repetidas explicações fizessem sentido.
Se eu pudesse retirar todas as páginas de explicações repetidas (que deve ser quase metade do livro), este seria sem dúvida um livro excelente, a história é boa, está bem desenvolvida e queremos saber o desfecho, o problema é que não lhe podemos retirar páginas e por isso em vez de ser um livro muito bom, é apenas um livro mais ou menos.

 A história vira à volta dos interesses do petróleo e do aquecimento global (e é incrível como continuam a ser assuntos tão actuais e o livro continua a fazer tanto sentido).



"Prolongamos a vida e a partir de um certo limite, começamos a vegetar."

"As cifras decifram-se, os códigos descodificam-se."

"Tjukurpa" - Quer dizer tempo de sonho (não me lembro em que língua).

terça-feira, 21 de maio de 2019

Há lutas que não se podem ganhar...

Às vezes por mais que custe temos que aceitar que o amor não chega, temos de deixar partir, fechar a porta, dar a história por encerrada.
Às vezes temos de saber perder para que possamos ganhar, de que nos adianta ficar presa a uma história que nunca terá um final feliz? De que nos adianta bater numa tecla que sabemos há muito que está partida? De que nos adianta que aquela pessoa esteja se na verdade não quer estar?

Mereces alguém que te ame por inteiro, que se doe na mesma proporção que tu o fazes, mereces alguém que olhe para ti como se o resto do mundo não existisse e que se sinta feliz só por saber que estás ali.
Mereces alguém que te aceite com todos os teus defeitos, que não tente mudar-te ou sujeitar-te ao que ele considera ideal.
Mereces alguém que te respeite em todos os momentos e não apenas de vez em quando.

Aceita que há lutas que não se podem ganhar, aceita que chegou a hora de colocares um ponto final nessa história vazia de felicidade, aceita que chegou a hora de te amares a ti em primeiro lugar e de exigires ser amada na mesma medida.

Eu sei que dói e que custa, eu sei que ainda tens dentro de ti tantos sonhos que sonhaste com ele e que te custa desistir de os realizar, eu sei que o peito se aperta quando imaginas a tua vida sem ele, que te falta o ar ao saber que nunca mais verás aquele sorriso ou que aquele brilho que ele traz no olhar nunca mais será para ti ou por ti.
Mas confessa-me, quantas vezes te sentiste sozinha mesmo estando ele ao teu lado? Quantas vezes choraste por saber que o amor dele há muito deixou de existir? Quantas vezes disseste a ti mesma que o amor não se pede e logo a seguir foste pedir-lhe um pouco de atenção?

Mereces mais, mereces muito mais.
As histórias de amor só o são quando o amor existe dos dois lados, quando os sonhos e os planos são feitos a dois. Não és uma boneca que se pode por e tirar da prateleira sempre que lhe apetece, não és e não podes ser.

O mundo continua a girar mesmo quando temos o coração completamente partido, mesmo quando achamos que nos perdemos em mil pedaços e que nunca voltaremos a ficar inteiras.
O mundo continua a girar e tu tens de girar com ele, porque algures no teu caminho estará a pessoa certa, aquela que te amara de uma forma completa, sem mas nem porquês e apenas porque sim.

Então liberta-te dessa história que te prende e te deixa mais triste do que feliz, faz o luto por esse amor que há muito deixou de te completar, abre mão dos sonhos e dos planos que no fundo sabes que nunca irão acontecer e coloca-te como prioridade numa relação onde sempre foste apenas a opção.

Bate com a porta e vai ser feliz.
Custa, custa muito. Mas custa muito mais continuares a anular-te e a deixares de ser quem és.
Custa é verdade, mas não te custa quando te olhas ao espelho e vês que és uma sombra do que já foste?
O amor não tira o brilho, pelo contrário, faz-te brilhar ainda mais.
Então deixa a tua estrela voltar a brilhar, confia em ti, liberta-te das amarras mesmo que isso significa atirares o teu coração ao chão e chorares duas semanas seguidas, dois meses ou dois anos.

No fim vais descobrir que o sol continua a brilhar e que mais vale só do que mal acompanhada...
Vai ser feliz!


segunda-feira, 20 de maio de 2019

Souad - Queimada viva

E quando aqueles que nos deviam proteger são os mesmos que nos querem ver morta?
Quando a religião é distorcida ao ponto de o amor ser substituído pelo ódio?
Quando a vida humana vale menos do que a reputação de alguém?

É surreal saber que estas histórias não só são reais como continuam a acontecer nos dias de hoje.

Na Cisjordânia as mulheres simplesmente não têm direitos, não vão à escola, são tratadas como escravas pelos pais e posteriormente pelos maridos, levam tareias enormes de ambos, não podem olhar nem falar com um homem, são consideradas apenas um objecto, uma propriedade. E para elas isso é normal, é a única realidade que conhecem, elas não sonham que existe um mundo à parte, um mundo onde as mulheres têm direitos, um mundo onde levar tareias e ser escrava não é e não pode ser considerado normal.

Este livro chocou-me a todos os níveis, não consigo perceber como se criam homens para ser monstros.. Souad cometeu um "erro", o de se apaixonar e engravidar sem estar casada, por isso foi queimada viva e grávida, sobreviveu e conta a sua história.

Um relato impressionante e doloroso, que nos faz agradecer por termos nascido num país minimamente civilizado.



"Tinha medo desta vida e ninguém compreendia isso."

"Não podemos esquecer a nossa própria morte."

"Agora protege-me. Se não me protegeres não és um homem."

"O que ele faz com o meu corpo não é importante, é com a cabeça que eu o amo."

"Vou morrer. Não importa. Talvez já esteja morta."

"Impedi-la de morrer é uma coisa, ajudá-la a renascer é outra."

"O sorriso é uma forma de oferecer felicidade aos outros, mas não necessariamente a minha."

"Há algo que se quebrou em mim e, muitas vezes, as pessoas não se apercebem porque sorrio sempre por delicadeza, por respeito pelos outros."

"É muito bonito dizer «quero morrer». E os outros?"

"À força de querermos esquecer, acabamos por esquecer de facto."

"Eu estava morta na minha cabeça, tinha água em vez de ideias, não sabia o que fazia."

"Não tinha nada na cabeça, apenas medo."

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Tudo começa na mente!

E às vezes vais na rua e de repente sentes o coração a bater num ritmo frenético, as mãos começam a suar frio, o cérebro desenrola um novelo de pensamentos que não fazem sentido nenhum e de repente parece que o mundo vai acabar e que vais morrer ali.
E porquê? Porque é que de repente coisas que eram tão fáceis de fazer passaram a ser grandes desafios? Porque é que acções que nem implicavam pensar de repente parecem monstros assustadores?
O cérebro é uma coisa complicada e por vezes gosta de se complicar ainda mais.

Todos sabemos que não dá para apagar memórias, não podemos simplesmente querer esquecer algo - até porque sempre que queremos esquecer algo, estamos na verdade a lembra-lo, a aumentar a sua intensidade e a criar novos sentimentos e pensamentos à volta dessa memória.
Então o que podemos fazer para vencer o cérebro? Como podemos voltar a ser donos da nossa mente em vez de ser ela o nosso dono?

Simplesmente questionando-a.

Se vão na rua e de repente entram em pânico com medo de ser atropelados, parem e comecem a questionar a vossa mente (não parem se tiverem no meio da estrada, óbvio).
Conversem com ela - não, não fiquei louca - perguntem-lhe de que tem medo se não vem nenhum carro, perguntem-lhe porque se assusta se o sinal está verde, perguntem-lhe que sentido faz tudo aquilo. E por muito que vos pareça absurdo a mente responde-vos, vocês vão-se aperceber que de repente vão pensar coisas como "todos os dias morrem centenas de pessoas atropeladas" e é nesta altura que tem de continuar a batalhar com a vossa mente: "é verdade, mas nós não vamos ser uma delas porque temos cuidado a atravessar a estrada", "sim eu sei, mas eu nunca atravesso se vier lá um carro".
Ao responder à vossa mente estão a criar novos pensamentos, sentimentos e memórias à volta daquela emoção assustador e aos poucos o vosso cérebro vai começar a abrir as janelas certas e o pânico vai começar a ir embora.

É claro que não acontece de um dia para o outro, é claro que terão muitas crises, até porque é muito difícil questionarem-se nos 5 segundos iniciais de uma crise e é aqui que tem que o começar a fazer, mas aos poucos conseguem e aos poucos vão vencendo o medo e vão voltando a ser os autores da vossa história.

Desafio-vos todos a fazer isto, seja com um ataque de pânico, seja com uma crise de ansiedade por antecedência (acontece tanto não é verdade, sofrer por antecedência?), seja com pensamentos negativos.
É sempre possível refutar a nossa mente, é sempre possível criar novas formas de pensar e de lidar com as coisas.
E sejamos sinceros a vida já nos apresenta tantos dramas e problemas não queremos realmente que a nossa mente seja mais um pois não?
Então dediquem-lhe tempo, destruam-lhe as bases do medo e do preconceito, cuidem da vossa mente da mesma forma que gostam de cuidar do vosso corpo. Não vos adianta de nada, ter um corpo são se a mente não o estiver.



Para quem quiser aprofundar este tema e para quem quiser aprender mais sobre como refutar a mente e como criar janelas saudáveis, recomendo pelo menos dois livros "revolucione a sua qualidade de vida" onde é tudo explicado por a + b e o "armadilhas da mente" que embora tenha muita psicoterapia tem um bocadinho de romance o que ajuda à leitura. São ambos do Augusto Cury.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Maria João Lopo de Carvalho - Adopta-me

E quando ninguém quer saber?
Quando passamos a ser invisíveis e já ninguém quer perder tempo a tentar mudar o mundo?
Quando a burocracia engole os sonhos ou quando a realidade nos cria carapaças que nos roubam a humanidade?

Este é daqueles livros que me conquistou completamente, não pelo romance paralelo que o livro nos conta - porque ai confesso que o achei completamente dispensável - mas sim porque nos mostra a dura realidade de algumas coisas que partimos do principio que são básicas e fáceis de resolver.

A personagem do livro é uma vereadora da Câmara de Lisboa, que nos vai mostrando algumas realidades dos bairros problemáticos da capital, como por exemplo a enorme burocracia que é necessária para fornecer uns meros cortinados a uma escola - algo que me deixou de boca aberta - ou como muitas vezes as crianças deste bairro são deixadas à sua sorte, sem ninguém que se interesse por elas, sem ninguém que se preocupe de verdade, que lhes mostre o rumo, que lhes diga que o futuro existe e pode ser risonho.

Um livro que nos faz pensar e ver além da nossa "bolha" e nos mostra problemas que nem sabemos que existem.
Recomendo muito.


"Os homens podem não ser todos uns cabrões."

"Há contas que se fazem com o coração."

"Falo com o coração, que é a unica maneira que tenho de me safar. Na minha ingenuidade, acredito que também quem ouve, ouve com o coração."

"A vida é uma idade quase toda feita de espaços em branco."

"Ou me perco aqui ou fujo daqui. Por uns tempos, preciso de recuar, preciso de ir ver outros caminhos. Preciso de um campo aberto para as lágrimas, preciso da distância de um lugar secreto, de uma memória, se calhar da distância de uma oração. Preciso de me ir embora daqui."

"Ser criança cansa... Ser adulto cansa muito mais."

"Tenho de aprender a blindar-me. Isso aprende-se? Onde?"

"O tempo não se controla."

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Jodi Picoult - Para a minha irma

Não há maior amor no mundo do que o amor de um pai por um filho.
Mas e quando para salvar um temos de fazer sofrer outro?
Será justo?

O livro fala-nos de um casal perfeitamente normal com dois filhos saudáveis e que um dia recebe a terrível noticia de que a filha tem leucemia. Depois de ponderarem as opções, eles decidem ter um terceiro filho (Anna) para usar as células do cordão umbilical no tratamento da filha doente. No entanto as coisas não correm bem e durante anos Anna é sujeita a procedimentos médicos para ajudar a manter a irmã viva. Um dia ela decide que já chega e coloca os pais em tribunal de forma a que seja ela - e só ela - a decidir se quer ou não ajudar a irmã..

E é aqui que todos ficamos divididos..
O que faríamos se estivéssemos no lugar dos pais de Anna? É justo usar uma criança vezes e vezes sem conta sujeitando-a a procedimentos arriscados para salvar outra? Mas será justo não a usar e deixar morrer a outra filha?
Uma daquelas histórias que nos deixam com um nó no estômago porque não existe o certo e o errado e nenhum pai gostaria de estar nesta situação.

O livro é simplesmente fantástico e recomendo muito.


"Se os extraterrestres viessem à terra hoje e observassem com atenção porque é que os bebés nascem, chegariam à conclusão que a maioria das pessoas têm bebés acidentalmente, ou porque bebeu demais numa determinada noite, ou porque os anticoncepcionais não são 100% eficazes, ou por milhares de outras razões que na realidade não são lisonjeiras."

"Sem ti não consigo saber quem sou."

"Eu levo-a comigo, para onde quer que vá."