sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Às vezes é preciso agradecer...

Reclamamos que não temos a casa dos nossos sonhos ou o carro que imaginámos,
Que o euromilhões não chega ou que o nosso emprego é uma tortura,
Reclamamos que está muito calor ou muito frio, que chove sem parar ou que os campos estão secos,
Que não achamos roupa que gostamos, que estamos gordos, magros ou assim assim.
Reclamamos que não temos tempo para os amigos, para dormir, para fazer desporto.

Reclamamos tanto que nos esquecemos de agradecer.

Já agradeceste hoje?
Estamos vivos.
Já paraste para respirar fundo, ignorar tudo o que não tens e pensar no tanto que és afortunado?
Temos saúde.
Já agradeceste o pequeno almoço, o almoço e o jantar? Ou são coisas que dás por garantidas?
Temos um tecto e comida na mesa.
Já olhaste para as manchetes do jornal e agradeceste por não ser sobre ti ou os teus?
Temos os nossos vivos, bem, saudáveis.
Já paraste para ver que no fundo tens tudo o que importa?
E que o resto conquista-se. Todos os dias.

Acredita mais, agradece mais, reclama menos.

Obrigada Senhor, por mais um dia.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Jodi Picoult - Dezanove minutos

E se todos os dias alguém nos destruísse mais um bocadinho?
Se todos os dias perdêssemos a nossa identidade?
Se deixássemos de saber quem somos?
Se achássemos que não somos nada?
É justo que nos façam sentir assim? É justo que nos humilhem, nos torturem, nos magoem, só porque é aparentemente divertido?
É justo acordar todos os dias sem esperança só porque alguém se lembrou que somos um alvo fácil?
E se um dia acordássemos e decidíssemos acabar com todos aqueles que de alguma forma já acabaram connosco? Se achássemos que era justo ser tão cruel com os outros como foram connosco? Podemos realmente ser condenados por isso? Somos realmente um monstro ou os monstros são eles que durante anos nos foram destruindo?

Dezanove minutos conta-nos a história de um jovem que entrou na sua escola e matou a tiro 10 pessoas ferindo mais dezanove, conta-nos o choque e o drama desse episódio mas conta-nos também o modo como tudo começou, como um jovem foi perseguido e torturado durante anos, como se viu reduzido a nada...
Este livro faz-nos pensar no outro lado da violência, dizemos sempre que "nada justificava esta atitude" mas e se tivéssemos passado anos a ser humilhados, como é que nos sentíamos?

Este livro é um alerta, porque muitas vezes não vemos o que está mesmo à frente dos nossos olhos, não nos preocupamos com o outro lado da história, com os sentimentos que estão por detrás das ações, nada justifica um massacre mas também nada justifica que cada vez mais crianças sejam vítimas de violência psicológica num ambiente que deveria ser seguro, com pessoas que deviam ser suas amigas.
Cabe a cada um de nós evitar que isto aconteça, educando os nossos filhos, ensinando-lhes a ser pessoas compassivas, honestas e principalmente ensinando-lhes que as palavras magoam, que as nossas atitudes tem consequências e que não temos de ser amigos de toda a gente mas temos de respeitar toda a gente.

Jodi Picoult é sem dúvida uma das melhores escritoras que já li.



"Se não mudarmos a nossa direcção, acabaremos por chegar aonde vamos." - Provérbio chinês

"Quando estava com ele, sentia que se evaporava."

"Há duas maneiras de ser feliz: melhorar a nossa realidade, ou baixar as nossas expectativas."

"Olha, posso não ser a pessoa que neste momento desejas, mas só me tens a mim."

"Coração de manteiga", tinha-lhe chamado. Bem. Ele deveria saber. Foi ele o primeiro a cortá-lo em pedaços."

"Pessoas diferentes tem diferentes tolerâncias à dor."

"Mostrou-lhe um sorriso, daqueles que podem fazer um coração começar a partir-se."

"Se passarmos a vida concentrados naquilo que os outros pensam de nós, será que nos esquecemos de quem realmente somos?"

"Uma arma não era realmente nada sem uma pessoa por trás dela."

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Educar não é fácil...

As crianças não nascem ensinadas - por muito que gostasses que isso acontecesse.
É normal falharem, caírem, chorarem, fazerem birras, testarem limites.
É normal acordarem as 7 da manhã mesmo que queiras dormir até ao meio dia,
É normal que queiram que brinques com elas mesmo quando tens mil coisas do trabalho para resolver.
É normal esperarem que sejas a super mulher ou o super homem. És o herói deles e por muito que por vezes seja difícil tens que corresponder a esse papel.
Não podes esperar que uma criança fique quieta em frente à televisão enquanto descansas, aliás, deixa-me que te diga que se depois de um dia inteiro longe de ti o teu filho te deixar descansar quieto enquanto fica em frente à televisão é porque se passa algo de muito errado com a vossa relação.
As crianças precisam de brincar, de testar limites, de ouvir não e sim nos momentos adequados para que aprendam a lidar com a frustração e com a satisfação.
As crianças não precisam de telemóveis, nem de tablet's, computadores ou coisas parecidas, as crianças precisam de ti.
Precisam que tu lhes contes uma história para dormir em vez de lhes enfiares um dvd de bonecos para adormecerem, precisam que tu te sentes com elas no chão a fazer um puzzle em vez de lhes dares um tablet para a mão enquanto tu falas no whatsapp com os teus amigos.
As crianças precisam que tu lhes ralhes quando fazem disparates mas não que tu lhes grites de 5 em 5 minutos só porque estão a ser crianças.
As crianças precisam de comer sopa mesmo que dê muito trabalho fazer uma nova a cada 3 dias, precisam de comer legumes mesmo que não gostem de brócolos, precisam de comer fruta mesmo que prefiram gelados e precisam de beber água em vez de quinhentos quilos de açúcar num refrigerante, mesmo que isso implique que tenhas que beber água também.

Ser mãe/ pai não é pêra doce e nunca serás perfeita(o) por mais que tentes, mas tens que perceber que as crianças aprendem pelo exemplo.
És tu que as ensinas, és tu o responsável por fazeres delas o adulto que gostarias que fossem, não podes esperar que o teu filho corra para te contar o dia se sempre que o tenta fazer, tu o mandas ver televisão porque tens de trabalhar, ou que te peça ajuda para resolver um problema se nem tens tempo para o ajudar a montar as peças de um puzzle.
Não podes esperar que seja saudável se deixas que o cansaço te vença na hora de lhes fazer refeições saudáveis e não podes esperar que te respeite se cada vez que lhe queres ensinar que algo está errado o fazes aos berros.
Medo não é respeito.

Já te disse que lhe deves ralhar quando fizer disparates e dizer que não sempre que for necessário mas não precisas de o fazer aos berros. Puxa-o para ti, abraça-o e conversa com ele, explica-lhe porque aquilo é errado e quais as consequências daquela ação. As crianças são crianças mas não são burras e aprendem mais rapidamente se lhes explicares uma coisa por a + b do que se lhes gritares que só fazem disparates e que estás cansada disso tudo...

Então:
Grita menos,
Abraça mais.
Critica menos,
Entende mais.
Exige menos.
Dá mais.

As crianças dão trabalho mas não há nada melhor no mundo.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Daniel Sampaio - Lições do abismo

E se chegasses a um ponto em que o cansaço é tanto que parece que já nada faz sentido?
Se já nem soubesses quem és e para onde deves ir?
Se achasses que te tornaste um fardo e que ninguém te percebe ou te ama o suficiente?

As relações entre pais e filhos podem ser complicadas - umas vezes mais outras menos - mas todos os filhos em algum momento da sua vida vão sentir que os pais não os compreendem e que são eles contra o mundo.
Neste livro Daniel Sampaio, conta-nos a história de dois jovens que acreditam que os pais não entendem os seus problemas, as suas emoções, os seus sentimentos e que fogem de casa achando que isso resolverá tudo.
Daniel Sampaio explora essas emoções e vai-nos dando conta, não só do que os jovens "incompreendidos" sentem, mas também o que sentem as mães destes dois jovens mostrando-nos um lado que muitas vezes nos esquecemos que existe, o dos pais.
Daniel Sampaio é um psicoterapeuta mais do que habituado aos dramas da alma humana e neste livro ele tem a capacidade de nos fazer entrar nesses dramas, de nos mostrar mais do que um lado da mesma história e de nos fazer ver as coisas de vários pontos de vista.
O livro tem alguns termos técnicos que exigem alguma concentração na leitura mas é sem dúvida um grande livro.


"Estou morto de mais para poder morrer, acreditei ter força suficiente para não me asfixiar, apenas pude suspirar quando quis soltar um grito."

"O tempo passa depressa, o dia esvai-se dentro de mim, os primeiros traços de escuridão de há uns meses ocupam cada vez mais espaço. Na mais profunda solidão espero ser livre, desesperado e abandonado choro, não tenho forças para lutar por muito mais tempo."

"Tenho de tornar claro que não desejo ser preocupação para ninguém, não quero que sofram por minha causa, gostaria apenas de um pouco de calma neste corpo tão cansado."

"Agradeço aos meus pais terem sabido tomar conta do meu corpo. A culpa de o detestar não é da sua responsabilidade. Tudo surgiu de repente."

"Apesar da minha raiva continuo a ser ninguém. Caminho por entre sonhos e procuro a serenidade, busco a ilusão de que este momento vai passar e vou surgir de novo, no espelho, sem vergonha de mim."

"Como uma criança nascida na chuva, condeno-me a ficar para sempre gelado por dentro."

"Oiço-me mas não me escuto."

"Quem sabe a minha queda não me deu forças para continuar, quem sabe se estive no paraíso da solidão ou no limbo que precede a felicidade."

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Quem sabe?

Olho para a tua foto e não sei o que sinto...
Não sei se tenho saudades tuas ou de quem eu era naquele tempo.
Não sei se tenho saudades do teu abraço ou de simplesmente querer um abraço...
Perdi-me no dia em que te perdi, e no meio da luta para me voltar a encontrar deixei fugir a minha essência.
Já não acredito em príncipes encantados, não vejo amores em cada esquina, não sonho com beijos apaixonados, não desejo finais felizes...
Deixei de acreditar que o amor pode tudo, que quando se ama vale sempre a pena.
Deixei de ter esperança de voltar a subir ao topo do mundo e de acreditar que existe uma outra alma gémea que anda à minha procura.

Deixei de saber sonhar e passei a viver apenas a realidade.

Não haverá outro abraço como o teu, não existirão mais borboletas no meu estômago, não tremo quando mais ninguém me toca e os meus olhos deixaram de vislumbrar silhuetas ao longe.
Perdi-me e nunca mais consegui voltar a encontrar-me.
Perdi-me de tal forma que às vezes nem eu me reconheço.
Onde está a miúda que achava que o amor mudava o mundo? Onde está a miúda que insistia que o amor resolvia tudo? Onde está a miúda que mesmo no meio de lágrimas acreditava que o amor acabaria por vencer?
Não sei..
Perdeu-se, algures nesta nossa estrada, cheia de rectas e curvas, subidas e descidas.
Numa estrada onde o final feliz nunca chegará para os dois ao mesmo tempo. Talvez porque nos conhecemos no tempo errado, quando eu já sabia amar e tu ainda nem sabias o que era o amor...

Passaram-se tantos anos...
Tu continuas o mesmo, já eu, nunca voltarei a ser a mesma.
E por isso não faço ideia do que tenho saudades, se de ti, se de nós ou se apenas da miúda que eu era antes de ter deixado de acreditar no amor...

Não sei... Talvez um dia destes a vida me surpreenda e tudo mude outra vez!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Sofia Fraga - A tartaruga Celeste e o menino que chorava música

A fnac colocou-o na literatura dos 4 aos 6 anos, a wook recomenda-o para um publico entre os 6 e os 10 anos, já eu sou mais abrangente e colocaria este livro entre os 4 e os 12 anos e o motivo é simples, "A tartaruga Celeste e o menino que chorava música" é um livro maravilhoso e com uma mensagem fantástica.
 A mensagem da história não é facilmente atingida por uma criança de 4/6 anos mas é um livro maravilhoso para ser lido por um adulto durante a hora da leitura ao mesmo tempo que lhes vamos desafiando a imaginação e fazendo perguntas sobre o que estão a ouvir. Explicar de uma forma simples e bonita a uma criança de 4/6 anos que as diferenças existem e que está tudo bem em ser diferente é dar-lhes ferramentas para serem mais felizes no seu dia a dia e para saberem ser mais tolerantes com as diferenças alheias.
Já uma criança de 12 anos poderia hoje em dia (já que eles crescem e se desenvolvem à velocidade da luz) ser considerada demasiado velha para uma história "infantil", mas esta história não é só mais uma história infantil, esta história faz-nos sorrir, faz-nos pensar "caramba é isto, vou ser uma tartaruga Celeste" e ler isto aos 12 anos - quando queremos tanto agradar aos outros, quando por vezes nos esquecemos que ter a nossa própria identidade é maravilhoso, quando achamos que só seremos bons se todos gostarem de nós e quiserem brincar connosco - pode ser muito libertador.
Às vezes tudo o que uma criança precisa de ouvir é que está tudo bem em ser diferente, é que está tudo certo em querer trilhar o seu próprio caminho, é que é maravilhoso usarmos o nosso próprio cérebro e não irmos atrás das ideias dos outros.
Se o escolherem dar a crianças de 12 anos sugiro que colem um post it na capa com a mensagem "que sejas sempre uma tartaruga Celeste e nunca percas a coragem de ser diferente" desta forma a vossa criança vai perceber que o livro é um tremendo incentivo a ele mesmo e não que o acham um menino pequenino.

E para terem noção de como gosto tanto deste livro eu teria adorado saber como a Celeste viveu a sua vida ou como o Pedro aplicou a lição que aprendeu.

 Por fim, se a vida te der limões fazes uma limonada ou choras pela tua falta de sorte? A tartaruga Celeste não tem dúvidas sobre o que faria :)



"As estrelas são na verdade pequenos anjos da guarda e cada ser vivo tem direito ao seu. Quando a noite cai e olhamos para cima com atenção, a nossa estrela pisca ao de leve para nos dar a entender que continua a zelar por nós."

"Não é a carapaça que define a tua vida, és tu que defines a carapaça com que queres viver."

"Às vezes só temos de aprender a olhar para as coisas de uma perspectiva diferente."

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Não estás sozinha!

Quando é que deixaste de acreditar em ti?
Quando é que deixaste de ver o brilho que irradias?
Quanto é que tomaste por verdades absolutas o que os outros dizem ou pensam?
Quando é que o peso que sentes no peito te roubou o sorriso que trazias sempre no rosto?

Diz-me, o que te aconteceu que mudou tudo?
Em que altura o mundo te roubou a felicidade que te era tão característica?
Quando é que as lágrimas começaram a molhar a tua almofada?
Em que momento passaste a esconder a tristeza que te invadia?

Conta-me, qual foi o dia em que a desilusão invadiu a tua vida e te fez ter vontade de desistir?
Em que dia começaste a achar que não valia a pena continuar?
Porque é que não gritaste ao mundo toda essa tristeza e frustração e a deixaste crescer silenciosa dentro de ti?

Em que momento te perdeste e em que momento perdeste a vontade de te reencontrar?

Diz-me, dou-te o meu ombro, o meu colo e os meus dois braços para um abraço apertado onde podes chorar e contar-me tudo o que te consome a alma.
Diz-me como podes não ver o potencial que tens, o brilho que transmites e que quando sorris aqueces o coração de todos os que te rodeiam.
Anda dai, senta-te comigo e conta-me que tristeza é essa que tomou conta dos teus dias.
Não sei se terei palavras que te consolem mas prometo que tenho um abraço apertado à tua espera e um amor imenso para te dar.

Não estás sozinha, nunca estarás sozinha.