sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Margarida Rebelo Pinto - Diário da tua ausência

Não escolhemos quem amamos nem escolhemos quando deixamos de amar.
Não importa que existam quilómetros imensos a separar-nos, nem importa que no fundo saibamos que a história não vai dar certo; quando amamos não somos capazes de desistir, não somos sequer capazes de aceitar que talvez o amor não vença tudo; e sofremos e choramos e juramos esquecer e depois ele volta e nós perdoamos tudo e fazemos mais juras de amor e prometemos a nós mesmas não deixar que o medo dele impeça que o nosso amor se transforme numa realidade feliz e eterna... 
Mas a verdade é que às vezes gostar não chega, é que às vezes o medo e a distância são mais fortes do que a nossa determinação e a nossa vontade de fazer dar certo, a verdade é que por vezes o amor não vence e nós choramos, choramos como se não houvesse amanhã porque no nosso coração o amanhã deixou de existir e tudo porque aquela pessoa não estará lá.

Margarida Rebelo Pinto é talvez das escritoras que melhor sabe falar de desilusões amorosas, que melhor toca os corações, porque todos nós já fomos magoados e em algum momento nos revemos nas palavras que ela escreve.
Para mim um livro fantástico, um livro de amor, de esperança, de sonhos.. mas também de "desamor", da constatação da realidade, da prova que por vezes o amor não vence tudo e é tão difícil admitir isso..
Totalmente aprovado e totalmente recomendado - quem tiver no meio de uma crise amorosa é melhor ler com a caixa de lenços ao lado. (Na minha opinião só vale ler Margarida Rebelo Pinto quando estamos mal, ela não tem de todo o mesmo sabor quando lemos felizes da vida).



"Estas respostas vagas e tão imprecisas só me confundiram ainda mais. Não que ele não tivesse direito a elas, eu é que nunca as soube aceitar."

"Tudo em mim se habituara a ele; o meu corpo, o meu coração, os meus olhos, o meu sono. E agora, que ele estava a sair da minha realidade de uma forma irreversível. Era como se me arrancassem os membros, sentia-me paralisada; perdida, sem saber para onde ir, assustada e ferida sem sequer acreditar no que me estava a acontecer."

"Cada um tem o seu destino nas mãos e somos nós e só nós, responsáveis pelo que acontece"

"A dor da perda não diminui com a lucidez nem se dissipa na razão. A dor tem vida própria."

"Não sei se o tempo curou a tristeza. Mas quero acreditar que sim."

"Tenho sempre coisas para dizer aos outros e sei que os outros nem sempre têm tempo ou vontade para me ouvir"

"Não é vontade, é necessidade"

"Sabes o efeito devastador que a tua voz causa em mim?"

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Só sei que te amo!

Eu poderia tentar explicar em palavras tudo o que sinto por ti mas a verdade é que não seria suficiente para fazer com que me entendessem..

Como é que se explica que passado tanto tempo ainda tenhas a capacidade de fazer o mundo desaparecer só com um sorriso? 
Como é que se explica que esse abraço ainda me arrepie e faça com que o meu coração falhe batidas?
Como é que se explica que quando me tocas ainda tremo e ainda sinto as borboletas invadirem-me?
E esses olhos? Caramba, como posso explicar o efeito que esse olhar tem em mim?

Como poderia explicar que me sinto no auge da perfeição quando acordo de noite e tu estás ali a dormir ao meu lado?
Que consigo imaginar toda uma vida ao teu lado enquanto vejo televisão com a cabeça no teu peito?
Que quando me encaixo em ti eu tenho certeza que fomos moldados em conjunto?

Tentei fugir tantas vezes deste sentimento e acreditei tantas vezes que tinha conseguido mas o universo teima em brincar comigo e levar-me de volta a ti, teima em dizer-me "aqui está e agora o que vais fazer?" Mas que posso eu fazer quando só eu tenho coragem de saltar de arranha céus? Que posso fazer quando as coisas não são mútuas, que posso eu fazer quando tu não tens coragem de correr riscos comigo?

Grito, choro e barafusto com o universo, o que raio quer ele ensinar-me? O que quer que eu veja que não estou a ver? O que é suposto eu fazer?

Procuro respostas em mim, em ti e até no além mas não consigo chegar a nenhuma conclusão. "Segue a tua intuição e o teu coração" dizem os "especialistas", como lhes explicar que tudo em mim grita que és o meu destino, que nasci para ti, que mudaria o mundo inteiro para ficar contigo mas que por mais que tente parece nunca ser o suficiente? 

Se há alturas em que me sinto perdida no meio de tanto amor, esta é uma delas. Em que a razão e a emoção se digladiam em argumentos se devo ir ou ficar, em que pareço saber menos a cada dia que passa?

Não tenho a mínima noção do que o destino nos reserva, a mais pequena luz sobre o que devo ou não fazer mas sei, sem a mais pequena dúvida que te amo. E por hoje, só por hoje isso vai ter de chegar.

Algures no tempo




terça-feira, 6 de outubro de 2020

Sê tu mesmo!

 Do que tens medo?

Porque vives uma vida que não te satisfaz, não te preenche, não te faz feliz?
Porque insistes em ser o que os outros esperam que sejas em vez de quem realmente queres ser?
Porque permites que a infelicidade te domine em vez de correres atrás da felicidade?

A vida é tua, o coração é teu, és tu que acordas e adormeces com esse peso no peito e essa dor na alma, és tu que finges sorrisos para parecer que está tudo bem quando na verdade está tudo mal.
És tu que aceitas a infelicidade com medo de te desafiar, de te libertares, de seres quem tu és.

Mas porquê?
As pessoas que te amam vão continuar a amar-te - ou então nunca te amaram e eu sei que isso é uma realidade assustadora, mas se nunca te amaram também não te farão falta, não precisas de números ao teu lado, precisas de pessoas, pessoas que te completem, que te amem, que te protejam, que te apoiem e acima de tudo que te aceitem.

Então porque insistes em ser o que não queres ser, em fazer o que não queres fazer, em sorrir quando não queres sorrir, em ser politicamente correto só para agradar o mundo?

Não, não, não.
A vida é tua e és tu que tens que a viver, de acordo com o que sentes, pensas e desejas.
Sem medos, sem falsos sorrisos, sem caminhos traçados por outros.
A vida é TUA, então sê tu mesmo.

Respira fundo, olha-te ao espelho e decide ser feliz.
Só depende de ti, SÓ DE TI.
Deixa esse peso que te consome a alma para trás e trata de ser feliz, acredita, em ti, na tua coragem, nas infinitas possibilidades que cada novo dia te trás.
Vá lá...Sem medos.. Eu sei que consegues.

Eu acredito em ti, acredita também!



quinta-feira, 18 de junho de 2020

Ditado pelo Espírito de Patrícia e escrito por Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho - Violetas na Janela

O que acontece quando morremos?
Existe um céu? E se sim, como é que ele é?
Podemos ver a terra? E voltar?
Conseguimos proteger aqueles que amamos?

Patrícia faleceu aos 19 anos e este livro é o seu relato do que encontrou quando chegou ao céu, as dúvidas, os aprendizados e as descobertas.

É complicado falar sobre este livro porque não sei se acredito ou não (acredito na vida depois da morte, só não sei se ela será como relatada neste livro).
Nunca imaginei que quando morrêssemos tivéssemos uma vida quase igual à que temos na terra - sem os vícios e o sofrimento - e é isso que este livro diz, que existe vida após a morte e que ela pode ser maravilhosa se estivermos dispostos a aprender.
Acho que é daqueles livros que só lendo para se ter uma opinião acerca dele, mas é sem dúvida uma leitura curiosa e que nos faz pensar.



"O amor permanecia para além do tempo e do espaço."

"O amor une"- Avó Amaziles

"O recém-nascido de hoje será o homem de amanhã" - Maurício

"Amor de mãe é como um farol a iluminar os seus entes queridos e a perfumar as suas existências."

"Não podemos separar a nossa vida, ela é um todo."

"Saber depende da nossa vontade."

"Para ser útil com sabedoria, é preciso conhecer." - Frederico

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Ursula Doyle - Cartas de amor de grandes mulheres

O livro foi escrito para o filme "O sexo e a cidade" mas foi tão procurado que acabou por ser realmente editado.
Consiste na compilação de cartas de amor escritas por mulheres que de alguma forma deixaram o seu nome na história.
Eu pessoalmente gostei mais da introdução a cada uma das mulheres, que nos permite "conhece-las" e situa-las no "mundo" do que das cartas em si, até porque algumas nem me parecem cartas de amor.

Enfim, achei que é um livro mais ou menos, nem bom nem mau - esperava mais.



"Suponho que estava à espera do homem sem o qual não conseguia viver." - Nora Doyle

"Prometo eu que os meus olhos vos desejam mais do que a qualquer outra coisa." - Catarina de Aragão

"A enorme distância entre nós faz com que o tempo me pareça muito longo." - Abigail Smith Adams

"Diz Polibius que, como não há nada mais desejável ou vantajoso do que a paz, quando encontrada na justiça e na honra, também não há nada mais vergonhoso e, ao mesmo tempo mais pernicioso, quando é obtida por más medidas e comprada com o custo da liberdade." - Abigail Smith Adams

"A lembrança faz com que o meu coração esteja ligado a ti." - Mary Wollstonecraft

"Acredito merecer o teu carinho, porque sou verdadeira e tenho um grau de sensibilidade que consegues ver e apreciar." - Mary Wollstonecraft

"Encontrei novamente o meu coração, e como ele sempre será; há sentimentos que vivem por si mesmos e que só podem terminar juntamente com ele." - Maria Joséphe-Rose Tascher de La Pagerie (Imperatriz Josefina)

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Teresa Lopes Vieira - Os diários da mulher Peter Pan

Diana vive com a família e está a passar uma crise de meia idade em que a monotonia é tudo o que ela vê, uma viagem em trabalho ao Equador e um acidente ao qual sobrevive muda-lhe as "prioridades" e decide conhecer-se melhor a si mesma.

Este livro irritou-me profundamente - provavelmente porque eu sou muito responsável e ver a irresponsabilidade da personagem irritou-me mesmo, porque raio é que as pessoas têm a mania de que é preciso irem para o outro lado do mundo para se encontrarem?
No entanto e apesar de os dois primeiros capítulos estarem escritos de forma arrogante e de a história em si me irritar, o final surpreendente dissipa todos os sentimentos menos positivos sobre o livro.
Não é um livro que eu ache fascinante mas acho que vale pelo seu final; além disso a pessoas menos responsáveis que eu (ou com uma mente mais livre), ele é capaz de não irritar.

E só assim por curiosidade, como é que ela tem um acidente de avião no meio da selva e nem se digna a procurar o piloto para saber se está vivo? Não me passa pela cabeça ter um acidente e nem me preocupar em ver se os outros estão vivos... Mas pronto, lá está, eu sou toda certinha.



"A vida até aos 18 anos é feita de sonhos, depois disso de obrigações."

"A racionalidade esvaía-se do seu ser a cada instante que passava."

"Chorar é o que as pessoas fazem quando ainda têm esperança; chorar é o ganido do humano que pede ajuda ou perdão."

"Desistir seria trair-se a si mesma."

"A vida continua, mesmo quando não somos capazes de participar nela."

"A depressão é um mal invisível, fatal por ignorarmos onde e como nos ataca, o veneno de uma cobra, que se alastra demasiado por não conseguirmos identificar a mordida."

"Porque será que os seres humanos têm tanto medo do desconhecido?"

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Quirimbo 70 - O filho da preta

Às vezes aquele que nos devia amar é aquele que nos renega e aquele que - supostamente - tinha todos os motivos para nos renegar é aquele que nos quer incondicionalmente.

Um relato de um filho rejeitado e esquecido pelo próprio pai e a superação de quem tinha tudo para falhar, mas venceu.

O livro é super simples, a escrita é simples, a história é simples, as personagens são simples mas é uma simplicidade que não irrita, que se lê bem.
Gostei do livro, teve a capacidade de me irritar, de me emocionar e de me fazer sorrir no final.