quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Filomena Falé - Azul bebé

E se o nosso bebé tivesse total entendimento de tudo ainda dentro da nossa barriga?
Se conseguisse ouvir tudo o que se passa na nossa vida e emitir os seus pareceres?
O que diria o nosso filho das nossas escolhas do dia a dia?

Azul bebé é um livro contado por uma bebé que ainda não nasceu, ou seja, é a vida da mãe e das amigas da mãe vista da perspectiva de um feto dentro da barriga.
Os primeiros capítulos são divertidíssimos com os comentários do bebé; depois à medida que começam a entrar as falas dos adultos torna-se mais sério.
É um bom livro, com comédia, romance, drama e contado de uma forma original.
Aprovado e recomendado.


"Pela vivência de um amor imenso, que não conhece tempo nem espaço."

"Ser mulher é isso? É contar tudo às amigas, é pedir conselhos e depois...fazer tudo ao contrário?"

"Esta mulher é orgulhosa para lá do possível. Para o bem e para o mal."

"A minha mãe é uma mulher inteligente, mas quando se trata do António parece que fica com o cérebro paralisado."

"A dor e a tristeza continuaram, mas o fardo dividido custa menos."

"É uma mulher feita de aço, mas muito terna."

"Estou tão deprimida que nem para mim sou boa companhia."

"As saudades são físicas e totais."

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Saudades...

Que saudades são estas que me invadem quando eu menos espero?
Que conseguem escurecer o céu e tirar o brilho do sol?
Que saudades são estas que fazem o meu coração falhar batidas e os meus olhos encherem-se de lágrimas?
Que me apertam o coração e me deixam sem ar?
Que saudades são estas que não me deixam esquecer mesmo quando eu julgo que já esqueci?
Que me fazem ficar presa a um tempo que eu sei que não existe mais?
Que saudades são estas que me fazem sonhar contigo desmentindo-me a mim mesma quando eu digo que já não penso mais em ti?

Como se desliga este botão?
Como se deixa de sentir aquilo que não faz nenhum sentido?
Como desaperto este nó no peito?
Como sigo em frente se o coração insiste sempre em levar-me de volta lá atrás?

Não sei..
Não sei que saudades são estas e nem como as hei de calar..
Não sei como deixar de sentir..

Tenho saudades..
Tenho saudades tuas...


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Eileen Goudge - A ilha da paixão

O que fariam se o vosso filho fosse atropelado e morto por um bêbado e este ao ser julgado fosse inocentado? Até onde seriam capazes de ir?
Deixariam a vossa vida em suspenso em busca da justiça?
Ou seguiriam em frente conformados com o rumo do destino?

Um daqueles livros que não conseguimos parar de ler enquanto não chegamos ao fim. Duas histórias paralelas, uma no presente e outra no passado, mas escritas de uma forma tão exemplar que nunca nos confundimos. Um livro onde não adivinhamos o que vai acontecer a seguir e que tem a capacidade de nos fazer sorrir ou de nos irritar profundamente.
Em duas palavras: Muito Bom.

Fotografia da minha autoria

"És a cola que tudo une."

"A ideia trespassou-a como um tiro no coração."

"Sabia que o mundo estava repleto de cantos escuros e de arestas afiadas"

"Seria capaz de lhe ler na expressão os sentimentos que fazia o possível para ocultar? Poderiam os seus olhos dizer-lhe aquilo que o coração não se atrevia?"

"Línguas soltas afundam navios."

"Soltou um pequeno gemido e deixou-se cair de joelhos devagar, com a sensação de que lhe tinham roubado o ar. Mais valia que ela lhe tivesse enterrado uma faca no coração."

"Dizem que cada panela tem a sua tampa. Desde que sirva, acho que nada mais interessa."

"A tristeza adora companhia."

"Eu não sou velha, só estou a aumentar de anos."

"As pessoas que mais amamos são aquelas que menos queremos magoar."

"Andas com falhados e acabas como eles."

"Quando choramos por alguém que amámos, é como se ele ainda fizesse parte de nós. A única forma de perdermos alguém de verdade é se o esquecermos."

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Eu sei...

Eu sei que está difícil, que sentes um vazio no lugar onde antes batia o teu coração, que parece que essa tristeza nunca vai passar, que as lágrimas teimam em cair mesmo que as tentes limpar a toda a hora...
Eu sei que pensas que nunca conseguirás voltar a sorrir, que parece que o mundo deixou de fazer sentido, que não consegues sentir mais nada além de dor...
Eu sei que perdeste a vontade de sair da cama de manhã, que os raios de sol passaram a ferir-te os olhos, que o que antes te parecia belo agora não faz qualquer sentido...
Eu sei que dói de uma forma que nem sequer achaste que podia doer, que te falta o ar quando pensas em tudo o que aconteceu, que só tens vontade que o mundo exploda e que ninguém te chateie..

Eu sei..

Mas eu também sei que amanhã o sol voltará a nascer, que o mundo não vai parar de girar, que a dor vai diminuir um bocadinho a cada dia (mesmo que agora aches que não).
Eu também sei que as coisas boas vão voltar a acontecer, que aos poucos vais conseguir recuperar o sorriso, que vais descobrir que o teu coração ainda consegue bater, que a tristeza não dura para sempre e que por pior que esteja a vida, ela pode sempre melhorar.
Eu sei que te consegues reerguer mesmo que te tenhas desfeito em pedaços,
Eu sei que o amanhã será um bocadinho mais fácil que o hoje e que um dia destes a dor foi embora e já consegues respirar outra vez.
Eu sei que as coisas boas estão algures na esquina da vida e que só precisas de acreditar, de seguir em frente todos os dias, de enfrentar essa tristeza que agora te consome e de permitires que o tempo faça o seu papel.

Tudo continua a ser possível.
Não deixes de acreditar, porque quando deres por ti, tropeçaste nas maravilhas da vida e estás pronta para sorrir outra vez..


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Bruno de Carvalho - Sem filtro

Deixo antes de tudo um aviso, eu posso não ser a pessoa mais isenta do mundo para falar deste livro.
Porquê? Porque eu sou Sportinguista (muito) e gosto do Bruno de Carvalho. Não gostei de todas as suas atitudes enquanto presidente, não concordei sempre com ele e houve até alturas em que achei que se devia demitir - inclusive ofereci-me no meu facebook pessoal para o acompanhar a umas consultas de psiquiatria (só para entenderem que houve alturas em que eu estava mesmo muito desagradada com ele).
No entanto, gosto dele e acredito que foi o melhor presidente que tivemos nos últimos -muitos - anos e que infelizmente isto ainda será verdade daqui a uns largos anos (o que quer dizer que para mim o atual presidente se devia dedicar à medicina porque de futebol não percebe nada).
Dito isto e já tendo deixado claro que posso não ser isenta, deixo aqui a minha opinião sobre o livro (e provavelmente sairá daqui uma mistura de opinião do livro e critica futebolística) :

- Primeiro o básico, o livro está bem escrito, os acontecimentos estão relatados de forma fluída, tornando muito fácil de ler e acompanhar a "história". Não é massante e para quem gosta do tema é um livro que só se pára de ler quando chegamos ao fim.
Quanto aos acontecimentos em si, a primeira coisa que me apraz dizer é que o Sporting tem ainda mais sanguessugas do que aquelas que eu achava e que aquilo é a verdadeira república das bananas - coisa que quem acompanha o Sporting sempre desconfiou.
Bruno de Carvalho relata-nos um clube onde todos se acham no direito de mandar, de exigir e de fazerem o que querem achando que cabe ao clube obedecer-lhes e não serem eles a obedecerem ao clube. E não estamos apenas a falar de altos dirigentes mas sim de pessoas que nem sequer fazem parte dos quadros do clube mas que se acham no direito de ter benefícios à conta do mesmo.
Um exemplo? Um clube com 700 funcionários ter 5000 telemóveis associados.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Deixa de remoer o passado...

Deixa de remoer o passado, já foi, já deu, já passou.
Chega de sofreres com o que não podes mudar, chega de te atormentares com os "ses" da vida, ou com os caminhos que podias ter seguido mas não seguiste.
Agora estás aqui e é a partir daqui que tens que viver, liberta-te do que já foi.

Não adianta nada ficares parada a olhar para trás, não podes mudar nada do que aconteceu, não podes voltar atrás e escolher outro caminho mas podes agora, no presente, no sitio onde estás, determinar o caminho que queres seguir.
Se não estás felizes muda de rota.

Sim, todos mudaríamos alguma coisa se pudéssemos voltar atrás mas a verdade é que não podemos e viver preso aos "ses" da vida não te vai ajudar a chegar ao sitio onde queres estar, não é a pensares no que podia ter sido diferente que vais conseguir traçar o caminho que queres seguir.
Foram as tuas escolhas no passado que te transformaram na pessoa que és hoje e portanto elas tiveram um sentido de ser, na altura em que as fizeste tu eras aquela pessoa, se hoje elas não fazem mais sentido é porque tu mudaste, porque elas te ensinaram alguma coisa, porque ao longo do caminho tiveste tempo para aprender e amadurecer.

Então não é para o passado que tens que olhar, não é nas escolhas que fizeste que tens que pensar. Tens que olhar para a pessoa que és hoje e para aquilo que queres hoje e a partir dai determinares o caminho que queres seguir.
Não é possível mudar o passado mas o futuro começa hoje e podes construí-lo da forma que quiseres, então liberta-te dos ses, calça os sapatos, traça o destino e faz-te ao caminho.
O teu futuro só depende de ti.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Carlos Porfirio - Caídos da mesma Árvore

E se de repente a vida te trocasse as voltas?
Se um simples encontro de amigos se transformasse numa questão de vida ou morte?
Até onde irias para salvar a tua vida?
Seriam os teus valores afetados por essa escolha?

Este livro começa num ritmo que não me agradou muito, parecia-me uma história banal sem acontecimentos que me conseguissem prender ao livro e as personagens também não me pareciam assim tão interessantes.
No entanto, mais ou menos no meio do livro, quando menos esperamos, já estamos completamente presos ao mesmo, a querer saber o que vem a seguir e o mais ridículo de tudo (tendo em conta o meu senso de justiça) o livro prende-nos de uma maneira que às tantas já eu torcia para que os criminosos da história se conseguissem safar e tivessem um final feliz.
É daqueles livros que ao início não damos grande coisa por eles mas que vai melhorando sem darmos por isso e que depois nos prende completamente.
Gostei muito.



"A música e a dança têm algo de mágico, são dos poucos escapes que o ser humano tem quando busca a harmonia."

"Lia para matar o tempo antes que o tempo o matasse a ele."

"Com o Ivo sentia-me como se tivesse o mundo aos meus pés."

"Ele sabia tudo ou quase tudo da música que teria de compor e tocar para arrebatar um coração."

"Ele não prestava, [...] não tinha cabeça nem coração, [...] tinha apenas um neurónio ligado ao mastro."

"Percebi que para ele, eu era apenas epiderme, material de prazer."

"Percebi que com ele andaria sempre na montanha russa, ora alegre e muito bem disposta, ora triste e desassossegada."

"A margem entre a devoção e a loucura cruel daqueles que vivem desesperadamente apaixonados, é demasiado pequena."

"A morte é a certeza mais absoluta que existe... dela sim, não podemos fugir."

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Às vezes é preciso agradecer...

Reclamamos que não temos a casa dos nossos sonhos ou o carro que imaginámos,
Que o euromilhões não chega ou que o nosso emprego é uma tortura,
Reclamamos que está muito calor ou muito frio, que chove sem parar ou que os campos estão secos,
Que não achamos roupa que gostamos, que estamos gordos, magros ou assim assim.
Reclamamos que não temos tempo para os amigos, para dormir, para fazer desporto.

Reclamamos tanto que nos esquecemos de agradecer.

Já agradeceste hoje?
Estamos vivos.
Já paraste para respirar fundo, ignorar tudo o que não tens e pensar no tanto que és afortunado?
Temos saúde.
Já agradeceste o pequeno almoço, o almoço e o jantar? Ou são coisas que dás por garantidas?
Temos um tecto e comida na mesa.
Já olhaste para as manchetes do jornal e agradeceste por não ser sobre ti ou os teus?
Temos os nossos vivos, bem, saudáveis.
Já paraste para ver que no fundo tens tudo o que importa?
E que o resto conquista-se. Todos os dias.

Acredita mais, agradece mais, reclama menos.

Obrigada Senhor, por mais um dia.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Jodi Picoult - Dezanove minutos

E se todos os dias alguém nos destruísse mais um bocadinho?
Se todos os dias perdêssemos a nossa identidade?
Se deixássemos de saber quem somos?
Se achássemos que não somos nada?
É justo que nos façam sentir assim? É justo que nos humilhem, nos torturem, nos magoem, só porque é aparentemente divertido?
É justo acordar todos os dias sem esperança só porque alguém se lembrou que somos um alvo fácil?
E se um dia acordássemos e decidíssemos acabar com todos aqueles que de alguma forma já acabaram connosco? Se achássemos que era justo ser tão cruel com os outros como foram connosco? Podemos realmente ser condenados por isso? Somos realmente um monstro ou os monstros são eles que durante anos nos foram destruindo?

Dezanove minutos conta-nos a história de um jovem que entrou na sua escola e matou a tiro 10 pessoas ferindo mais dezanove, conta-nos o choque e o drama desse episódio mas conta-nos também o modo como tudo começou, como um jovem foi perseguido e torturado durante anos, como se viu reduzido a nada...
Este livro faz-nos pensar no outro lado da violência, dizemos sempre que "nada justificava esta atitude" mas e se tivéssemos passado anos a ser humilhados, como é que nos sentíamos?

Este livro é um alerta, porque muitas vezes não vemos o que está mesmo à frente dos nossos olhos, não nos preocupamos com o outro lado da história, com os sentimentos que estão por detrás das ações, nada justifica um massacre mas também nada justifica que cada vez mais crianças sejam vítimas de violência psicológica num ambiente que deveria ser seguro, com pessoas que deviam ser suas amigas.
Cabe a cada um de nós evitar que isto aconteça, educando os nossos filhos, ensinando-lhes a ser pessoas compassivas, honestas e principalmente ensinando-lhes que as palavras magoam, que as nossas atitudes tem consequências e que não temos de ser amigos de toda a gente mas temos de respeitar toda a gente.

Jodi Picoult é sem dúvida uma das melhores escritoras que já li.



"Se não mudarmos a nossa direcção, acabaremos por chegar aonde vamos." - Provérbio chinês

"Quando estava com ele, sentia que se evaporava."

"Há duas maneiras de ser feliz: melhorar a nossa realidade, ou baixar as nossas expectativas."

"Olha, posso não ser a pessoa que neste momento desejas, mas só me tens a mim."

"Coração de manteiga", tinha-lhe chamado. Bem. Ele deveria saber. Foi ele o primeiro a cortá-lo em pedaços."

"Pessoas diferentes tem diferentes tolerâncias à dor."

"Mostrou-lhe um sorriso, daqueles que podem fazer um coração começar a partir-se."

"Se passarmos a vida concentrados naquilo que os outros pensam de nós, será que nos esquecemos de quem realmente somos?"

"Uma arma não era realmente nada sem uma pessoa por trás dela."

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Educar não é fácil...

As crianças não nascem ensinadas - por muito que gostasses que isso acontecesse.
É normal falharem, caírem, chorarem, fazerem birras, testarem limites.
É normal acordarem as 7 da manhã mesmo que queiras dormir até ao meio dia,
É normal que queiram que brinques com elas mesmo quando tens mil coisas do trabalho para resolver.
É normal esperarem que sejas a super mulher ou o super homem. És o herói deles e por muito que por vezes seja difícil tens que corresponder a esse papel.
Não podes esperar que uma criança fique quieta em frente à televisão enquanto descansas, aliás, deixa-me que te diga que se depois de um dia inteiro longe de ti o teu filho te deixar descansar quieto enquanto fica em frente à televisão é porque se passa algo de muito errado com a vossa relação.
As crianças precisam de brincar, de testar limites, de ouvir não e sim nos momentos adequados para que aprendam a lidar com a frustração e com a satisfação.
As crianças não precisam de telemóveis, nem de tablet's, computadores ou coisas parecidas, as crianças precisam de ti.
Precisam que tu lhes contes uma história para dormir em vez de lhes enfiares um dvd de bonecos para adormecerem, precisam que tu te sentes com elas no chão a fazer um puzzle em vez de lhes dares um tablet para a mão enquanto tu falas no whatsapp com os teus amigos.
As crianças precisam que tu lhes ralhes quando fazem disparates mas não que tu lhes grites de 5 em 5 minutos só porque estão a ser crianças.
As crianças precisam de comer sopa mesmo que dê muito trabalho fazer uma nova a cada 3 dias, precisam de comer legumes mesmo que não gostem de brócolos, precisam de comer fruta mesmo que prefiram gelados e precisam de beber água em vez de quinhentos quilos de açúcar num refrigerante, mesmo que isso implique que tenhas que beber água também.

Ser mãe/ pai não é pêra doce e nunca serás perfeita(o) por mais que tentes, mas tens que perceber que as crianças aprendem pelo exemplo.
És tu que as ensinas, és tu o responsável por fazeres delas o adulto que gostarias que fossem, não podes esperar que o teu filho corra para te contar o dia se sempre que o tenta fazer, tu o mandas ver televisão porque tens de trabalhar, ou que te peça ajuda para resolver um problema se nem tens tempo para o ajudar a montar as peças de um puzzle.
Não podes esperar que seja saudável se deixas que o cansaço te vença na hora de lhes fazer refeições saudáveis e não podes esperar que te respeite se cada vez que lhe queres ensinar que algo está errado o fazes aos berros.
Medo não é respeito.

Já te disse que lhe deves ralhar quando fizer disparates e dizer que não sempre que for necessário mas não precisas de o fazer aos berros. Puxa-o para ti, abraça-o e conversa com ele, explica-lhe porque aquilo é errado e quais as consequências daquela ação. As crianças são crianças mas não são burras e aprendem mais rapidamente se lhes explicares uma coisa por a + b do que se lhes gritares que só fazem disparates e que estás cansada disso tudo...

Então:
Grita menos,
Abraça mais.
Critica menos,
Entende mais.
Exige menos.
Dá mais.

As crianças dão trabalho mas não há nada melhor no mundo.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Daniel Sampaio - Lições do abismo

E se chegasses a um ponto em que o cansaço é tanto que parece que já nada faz sentido?
Se já nem soubesses quem és e para onde deves ir?
Se achasses que te tornaste um fardo e que ninguém te percebe ou te ama o suficiente?

As relações entre pais e filhos podem ser complicadas - umas vezes mais outras menos - mas todos os filhos em algum momento da sua vida vão sentir que os pais não os compreendem e que são eles contra o mundo.
Neste livro Daniel Sampaio, conta-nos a história de dois jovens que acreditam que os pais não entendem os seus problemas, as suas emoções, os seus sentimentos e que fogem de casa achando que isso resolverá tudo.
Daniel Sampaio explora essas emoções e vai-nos dando conta, não só do que os jovens "incompreendidos" sentem, mas também o que sentem as mães destes dois jovens mostrando-nos um lado que muitas vezes nos esquecemos que existe, o dos pais.
Daniel Sampaio é um psicoterapeuta mais do que habituado aos dramas da alma humana e neste livro ele tem a capacidade de nos fazer entrar nesses dramas, de nos mostrar mais do que um lado da mesma história e de nos fazer ver as coisas de vários pontos de vista.
O livro tem alguns termos técnicos que exigem alguma concentração na leitura mas é sem dúvida um grande livro.


"Estou morto de mais para poder morrer, acreditei ter força suficiente para não me asfixiar, apenas pude suspirar quando quis soltar um grito."

"O tempo passa depressa, o dia esvai-se dentro de mim, os primeiros traços de escuridão de há uns meses ocupam cada vez mais espaço. Na mais profunda solidão espero ser livre, desesperado e abandonado choro, não tenho forças para lutar por muito mais tempo."

"Tenho de tornar claro que não desejo ser preocupação para ninguém, não quero que sofram por minha causa, gostaria apenas de um pouco de calma neste corpo tão cansado."

"Agradeço aos meus pais terem sabido tomar conta do meu corpo. A culpa de o detestar não é da sua responsabilidade. Tudo surgiu de repente."

"Apesar da minha raiva continuo a ser ninguém. Caminho por entre sonhos e procuro a serenidade, busco a ilusão de que este momento vai passar e vou surgir de novo, no espelho, sem vergonha de mim."

"Como uma criança nascida na chuva, condeno-me a ficar para sempre gelado por dentro."

"Oiço-me mas não me escuto."

"Quem sabe a minha queda não me deu forças para continuar, quem sabe se estive no paraíso da solidão ou no limbo que precede a felicidade."

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Quem sabe?

Olho para a tua foto e não sei o que sinto...
Não sei se tenho saudades tuas ou de quem eu era naquele tempo.
Não sei se tenho saudades do teu abraço ou de simplesmente querer um abraço...
Perdi-me no dia em que te perdi, e no meio da luta para me voltar a encontrar deixei fugir a minha essência.
Já não acredito em príncipes encantados, não vejo amores em cada esquina, não sonho com beijos apaixonados, não desejo finais felizes...
Deixei de acreditar que o amor pode tudo, que quando se ama vale sempre a pena.
Deixei de ter esperança de voltar a subir ao topo do mundo e de acreditar que existe uma outra alma gémea que anda à minha procura.

Deixei de saber sonhar e passei a viver apenas a realidade.

Não haverá outro abraço como o teu, não existirão mais borboletas no meu estômago, não tremo quando mais ninguém me toca e os meus olhos deixaram de vislumbrar silhuetas ao longe.
Perdi-me e nunca mais consegui voltar a encontrar-me.
Perdi-me de tal forma que às vezes nem eu me reconheço.
Onde está a miúda que achava que o amor mudava o mundo? Onde está a miúda que insistia que o amor resolvia tudo? Onde está a miúda que mesmo no meio de lágrimas acreditava que o amor acabaria por vencer?
Não sei..
Perdeu-se, algures nesta nossa estrada, cheia de rectas e curvas, subidas e descidas.
Numa estrada onde o final feliz nunca chegará para os dois ao mesmo tempo. Talvez porque nos conhecemos no tempo errado, quando eu já sabia amar e tu ainda nem sabias o que era o amor...

Passaram-se tantos anos...
Tu continuas o mesmo, já eu, nunca voltarei a ser a mesma.
E por isso não faço ideia do que tenho saudades, se de ti, se de nós ou se apenas da miúda que eu era antes de ter deixado de acreditar no amor...

Não sei... Talvez um dia destes a vida me surpreenda e tudo mude outra vez!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Sofia Fraga - A tartaruga Celeste e o menino que chorava música

A fnac colocou-o na literatura dos 4 aos 6 anos, a wook recomenda-o para um publico entre os 6 e os 10 anos, já eu sou mais abrangente e colocaria este livro entre os 4 e os 12 anos e o motivo é simples, "A tartaruga Celeste e o menino que chorava música" é um livro maravilhoso e com uma mensagem fantástica.
 A mensagem da história não é facilmente atingida por uma criança de 4/6 anos mas é um livro maravilhoso para ser lido por um adulto durante a hora da leitura ao mesmo tempo que lhes vamos desafiando a imaginação e fazendo perguntas sobre o que estão a ouvir. Explicar de uma forma simples e bonita a uma criança de 4/6 anos que as diferenças existem e que está tudo bem em ser diferente é dar-lhes ferramentas para serem mais felizes no seu dia a dia e para saberem ser mais tolerantes com as diferenças alheias.
Já uma criança de 12 anos poderia hoje em dia (já que eles crescem e se desenvolvem à velocidade da luz) ser considerada demasiado velha para uma história "infantil", mas esta história não é só mais uma história infantil, esta história faz-nos sorrir, faz-nos pensar "caramba é isto, vou ser uma tartaruga Celeste" e ler isto aos 12 anos - quando queremos tanto agradar aos outros, quando por vezes nos esquecemos que ter a nossa própria identidade é maravilhoso, quando achamos que só seremos bons se todos gostarem de nós e quiserem brincar connosco - pode ser muito libertador.
Às vezes tudo o que uma criança precisa de ouvir é que está tudo bem em ser diferente, é que está tudo certo em querer trilhar o seu próprio caminho, é que é maravilhoso usarmos o nosso próprio cérebro e não irmos atrás das ideias dos outros.
Se o escolherem dar a crianças de 12 anos sugiro que colem um post it na capa com a mensagem "que sejas sempre uma tartaruga Celeste e nunca percas a coragem de ser diferente" desta forma a vossa criança vai perceber que o livro é um tremendo incentivo a ele mesmo e não que o acham um menino pequenino.

E para terem noção de como gosto tanto deste livro eu teria adorado saber como a Celeste viveu a sua vida ou como o Pedro aplicou a lição que aprendeu.

 Por fim, se a vida te der limões fazes uma limonada ou choras pela tua falta de sorte? A tartaruga Celeste não tem dúvidas sobre o que faria :)



"As estrelas são na verdade pequenos anjos da guarda e cada ser vivo tem direito ao seu. Quando a noite cai e olhamos para cima com atenção, a nossa estrela pisca ao de leve para nos dar a entender que continua a zelar por nós."

"Não é a carapaça que define a tua vida, és tu que defines a carapaça com que queres viver."

"Às vezes só temos de aprender a olhar para as coisas de uma perspectiva diferente."

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Não estás sozinha!

Quando é que deixaste de acreditar em ti?
Quando é que deixaste de ver o brilho que irradias?
Quanto é que tomaste por verdades absolutas o que os outros dizem ou pensam?
Quando é que o peso que sentes no peito te roubou o sorriso que trazias sempre no rosto?

Diz-me, o que te aconteceu que mudou tudo?
Em que altura o mundo te roubou a felicidade que te era tão característica?
Quando é que as lágrimas começaram a molhar a tua almofada?
Em que momento passaste a esconder a tristeza que te invadia?

Conta-me, qual foi o dia em que a desilusão invadiu a tua vida e te fez ter vontade de desistir?
Em que dia começaste a achar que não valia a pena continuar?
Porque é que não gritaste ao mundo toda essa tristeza e frustração e a deixaste crescer silenciosa dentro de ti?

Em que momento te perdeste e em que momento perdeste a vontade de te reencontrar?

Diz-me, dou-te o meu ombro, o meu colo e os meus dois braços para um abraço apertado onde podes chorar e contar-me tudo o que te consome a alma.
Diz-me como podes não ver o potencial que tens, o brilho que transmites e que quando sorris aqueces o coração de todos os que te rodeiam.
Anda dai, senta-te comigo e conta-me que tristeza é essa que tomou conta dos teus dias.
Não sei se terei palavras que te consolem mas prometo que tenho um abraço apertado à tua espera e um amor imenso para te dar.

Não estás sozinha, nunca estarás sozinha.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Maria J. C. Gomes - Descomprometidos

E se não acreditasses no amor?
Se achasses que eras imune ao romantismo e que essas coisas de coração a bater mais rápido e borboletas na barriga não passavam de mitos?
Se achasses que serias uma eterna descomprometida?
E se um dia a vida te trocasse as voltas e todas as tuas certezas virassem dúvidas?

Quando comecei a ler assustei-me com o prólogo, o tipo de linguagem e a forma machista do personagem ali retratado não me agradaram e pensei que não seria o meu tipo de livro.
Mas continuei a ler e fiquei inicialmente sem saber de onde tinha vindo aquele prólogo, porque tanto os personagens como o tipo de escrita eram completamente diferentes - no entanto no meio do livro o prólogo acaba por fazer todo o sentido.
A escrita do livro é em si muito simples - talvez por ser o primeiro livro da autora, no entanto não é aquela escrita simples que irrita, é antes aquela escrita que nos faz ler o livro num ritmo alucinante (demorei 2h para o terminar), sem complicações e que torna o livro de fácil entendimento.
O livro é um romance erótico mas eu bateria mais na tecla do romance do que no erótico, porque é um erotismo que faz todo o sentido na forma como é colocado, não é forçado e não nos faz suspirar a pensar que aquilo não necessitava de estar ali. Soltei gargalhadas no meio do livro com algumas tiradas dos personagens, dei uns sorrisos e houve ali uma altura de mistério que me deixou presa. Na minha opinião teria desenvolvido mais esta parte porque achei que daria para explorar mais esta personagem.
O livro é todo falado na "primeira pessoa", os personagens falam por si e não existe narrador.
Inicialmente o livro é bastante descritivo na parte dos personagens, isso acaba por nos fazer ter uma imagem totalmente criada dos personagens. Eu era capaz de escolher os atores para este livro sem pensar duas vezes de tanto que visualizei os personagens.
Resumindo, é um livro simples, fácil de ler e que acho que vale a pena.
O livro só está disponível em ebook e não em versão física - o que acho uma pena. Quem o quiser adquirir pode fazê-lo por exemplo no google play.


"Admito que me dá gozo saber que consigo fazer com que um homem que acha que é Deus na terra caia de beicinho por mim"

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Acredita!

Pára...
Pára de dizer que não és capaz,
Pára de dizer que não vais conseguir,
Pára de dizer que o mundo conspira contra ti..

A única culpada da situação onde estás hoje és tu, por isso pára de utilizar o mundo como desculpa para os teus falhanços..
 Talvez te tenham acontecido coisas más no passado com as quais não soubeste lidar, coisas de que não tiveste culpa.
Talvez tenhas tido uma mãe que não sabia demonstrar amor ou um tio que abusou de ti e claro que nada disto é culpa tua, mas e por muito que te custe acreditar; isto já passou, não podes voltar atrás para mudar a história e por isso está na altura de perdoares.

Sim, perdoares! Quando perdoas não estás a desculpabilizar a situação, estás sim a livrar-te do peso que carregas, tens que perceber que a culpa não foi tua e que enquanto carregares a raiva e a amargura que isso te causa, vais continuar a dar poder aos agressores, vão continuar a ser eles a comandar a tua vida.

Está na altura de respirares fundo e deixares ir todo o sofrimento que isso te causou, na altura não podias fazer nada mas agora podes, na altura magoarem-te e não foi culpa tua, mas é culpa tua deixares que essas memórias continuem a comandar a tua vida.

És tu e só tu que pode mudar isso, então porque não mudas?
Porque continuas a dizer que não consegues vencer na vida?
Porque continuas a acreditar que mereces menos do que na realidade mereces?
Porque continuas a deixar que o medo domine a tua vida e te impeça de realizar os teus sonhos?

Toda a gente cai, toda a gente falha.
Até a pessoa mais bem sucedida do mundo já falhou, já errou, já caiu.
A diferença entre tu e ela, é que ela seguiu em frente, aprendeu com a falha e tentou de novo, as vezes que foram precisas até vencer.
Então porque continuas tu sentada no chão a dizer que não és capaz e que o mundo é injusto contigo? Porque não deixas de te queixar e vais à luta?

Tu podes, tu consegues basta quereres, basta acreditares, basta agires.
Olha para o espelho e começa a despir as camadas de dor que te foram consumindo durante estes anos, deixa-as ir, uma de cada vez.
Olha para ti e vê que apesar de tudo sobreviveste e que só estás no chão porque te recusas a levantar e a lutar pela vida.

Hoje é o dia de acreditares!
Faz a lista de todos os teus sonhos, por mais irreais que eles possam parecer. Talvez não os consigas realizar hoje, amanhã, no próximo ano mas o segredo é acreditar, é ir à luta, é dar "a cara a tapa" à vida e mostrar que aconteça o que acontecer quem comanda a tua vida és tu e ninguém tem o poder de te fazer desistir.
As pessoas só te podem influenciar se tu deixares, talvez uma ou outra te vá magoar sem que nada o fizesse prever, mas é a forma como lidas com isso que determinará o que vem a seguir.
Todos os falhanços ajudam a tornar o sucesso ainda mais saboroso.

Então reúne os pedaços de ti, que deixaste espalhados por ai ao longo dos anos, respira fundo, perdoa o que houver a perdoar, ama-te acima de tudo e de qualquer coisa e vai à luta.
Tu consegues, só precisas de acreditar!