Sofia Fraga é daquelas escritoras que quando pegamos num livro da sua autoria já sabemos que o mesmo terá alguma mensagem para nos passar, foi por isso que quando peguei no novo livro da autora o fui lendo e sorrindo à medida que tentava perceber o que ela nos queria ensinar desta vez.
"Julião o melro-poeta" não tem uma mensagem tão óbvia como o livro anterior dela ("A tartaruga Celeste e o menino que chorava música") mas conforme vamos lendo as linhas e as entrelinhas vamos percebendo que a mensagem está lá.
Este livro fala-nos sobre 3 animais que se conhecem por acaso e que se unem para concretizar um objectivo comum, que unem os seus esforços e vão fazendo o caminho sempre juntos até chegarem ao suposto destino.
E aqui já temos duas importantes mensagens que nunca devíamos esquecer de ensinar às nossas crianças, porque sejamos sinceros; se um melro poeta, um sapo que acha que é príncipe e uma mosca que adormece de 30 em 30 minutos conseguem cumprir um objectivo, o que é que impede as nossas crianças de conseguirem também?
Enquanto lemos o livro com as nossas crianças podemos aproveitar toda a parte da viagem dos animais para os relembrar da importância de acreditar nos sonhos e de lutar por eles mesmo que alguém duvide não só da nossa capacidade para os realizar mas também da validade desse sonho. Temos aqui uma excelente forma de os ensinar que não importa se mais ninguém acredita desde que eles acreditem. Juntando a isto podemos falar da importância do trabalho de equipa e de como os amigos estão sempre dispostos a ajudarem-se mutuamente.
Já no final da história e depois do objectivo a que os amigos se propuseram, eles decidem continuar juntos e desbravar outras possíveis aventuras (quem sabe em novos livros), no entanto antes disso conseguimos mais uma vez uma importante mensagem, durante todo o percurso o Julião (o melro-poeta) queria muito fazer algo para agradar e ser aceite por outra pessoa ( no caso era mais outro animal), mas no fim tudo o que ele fez foi ser ele mesmo e foi isso que lhe trouxe grandes resultados. Ou seja, podemos mais uma vez pegar numa parte da história para relembrar os nossos meninos de que eles não precisam de mudar para agradar ninguém, de que tem de ser eles mesmos, que tem de ser fieis ao que são e ao que acreditam e que se o fizerem terão excelentes resultados.
Além disso podemos ensinar ainda que os verdadeiros amigos gostam de nós como nós somos e que a sua amizade não depende de sermos ou fazermos isto ou aquilo.
Resumindo, é um livro maravilhoso cheio de mensagens para as nossas crianças e que nos dá a oportunidade enquanto educadores de reforçar a sua auto-confiança.
Não acho que seja um livro que uma criança de 6 ou 7 anos compreenderá sozinha - a história em si, a criança poderá ler sozinha e perceber as partes básicas de 3 amigos que fazem algo juntos mas as inúmeras mensagens que o livro tem acho que não.
No entanto acho que é um daqueles livros maravilhosos para lermos enroscados nos nossos pequenos enquanto eles ouvem a nossa voz e imaginam a história, ou enquanto nós ouvimos a voz deles e os vamos conduzindo com perguntas para os sítios que queremos que eles reparem e os vamos ensinando que os bons livros são muito mais do que uma simples história, são autênticas lições de vida.
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quinta-feira, 7 de março de 2019
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019
Sofia Fraga - A tartaruga Celeste e o menino que chorava música
A fnac colocou-o na literatura dos 4 aos 6 anos, a wook recomenda-o para um publico entre os 6 e os 10 anos, já eu sou mais abrangente e colocaria este livro entre os 4 e os 12 anos e o motivo é simples, "A tartaruga Celeste e o menino que chorava música" é um livro maravilhoso e com uma mensagem fantástica.
A mensagem da história não é facilmente atingida por uma criança de 4/6 anos mas é um livro maravilhoso para ser lido por um adulto durante a hora da leitura ao mesmo tempo que lhes vamos desafiando a imaginação e fazendo perguntas sobre o que estão a ouvir. Explicar de uma forma simples e bonita a uma criança de 4/6 anos que as diferenças existem e que está tudo bem em ser diferente é dar-lhes ferramentas para serem mais felizes no seu dia a dia e para saberem ser mais tolerantes com as diferenças alheias.
Já uma criança de 12 anos poderia hoje em dia (já que eles crescem e se desenvolvem à velocidade da luz) ser considerada demasiado velha para uma história "infantil", mas esta história não é só mais uma história infantil, esta história faz-nos sorrir, faz-nos pensar "caramba é isto, vou ser uma tartaruga Celeste" e ler isto aos 12 anos - quando queremos tanto agradar aos outros, quando por vezes nos esquecemos que ter a nossa própria identidade é maravilhoso, quando achamos que só seremos bons se todos gostarem de nós e quiserem brincar connosco - pode ser muito libertador.
Às vezes tudo o que uma criança precisa de ouvir é que está tudo bem em ser diferente, é que está tudo certo em querer trilhar o seu próprio caminho, é que é maravilhoso usarmos o nosso próprio cérebro e não irmos atrás das ideias dos outros.
Se o escolherem dar a crianças de 12 anos sugiro que colem um post it na capa com a mensagem "que sejas sempre uma tartaruga Celeste e nunca percas a coragem de ser diferente" desta forma a vossa criança vai perceber que o livro é um tremendo incentivo a ele mesmo e não que o acham um menino pequenino.
E para terem noção de como gosto tanto deste livro eu teria adorado saber como a Celeste viveu a sua vida ou como o Pedro aplicou a lição que aprendeu.
Por fim, se a vida te der limões fazes uma limonada ou choras pela tua falta de sorte? A tartaruga Celeste não tem dúvidas sobre o que faria :)
"As estrelas são na verdade pequenos anjos da guarda e cada ser vivo tem direito ao seu. Quando a noite cai e olhamos para cima com atenção, a nossa estrela pisca ao de leve para nos dar a entender que continua a zelar por nós."
"Não é a carapaça que define a tua vida, és tu que defines a carapaça com que queres viver."
"Às vezes só temos de aprender a olhar para as coisas de uma perspectiva diferente."
A mensagem da história não é facilmente atingida por uma criança de 4/6 anos mas é um livro maravilhoso para ser lido por um adulto durante a hora da leitura ao mesmo tempo que lhes vamos desafiando a imaginação e fazendo perguntas sobre o que estão a ouvir. Explicar de uma forma simples e bonita a uma criança de 4/6 anos que as diferenças existem e que está tudo bem em ser diferente é dar-lhes ferramentas para serem mais felizes no seu dia a dia e para saberem ser mais tolerantes com as diferenças alheias.
Já uma criança de 12 anos poderia hoje em dia (já que eles crescem e se desenvolvem à velocidade da luz) ser considerada demasiado velha para uma história "infantil", mas esta história não é só mais uma história infantil, esta história faz-nos sorrir, faz-nos pensar "caramba é isto, vou ser uma tartaruga Celeste" e ler isto aos 12 anos - quando queremos tanto agradar aos outros, quando por vezes nos esquecemos que ter a nossa própria identidade é maravilhoso, quando achamos que só seremos bons se todos gostarem de nós e quiserem brincar connosco - pode ser muito libertador.
Às vezes tudo o que uma criança precisa de ouvir é que está tudo bem em ser diferente, é que está tudo certo em querer trilhar o seu próprio caminho, é que é maravilhoso usarmos o nosso próprio cérebro e não irmos atrás das ideias dos outros.
Se o escolherem dar a crianças de 12 anos sugiro que colem um post it na capa com a mensagem "que sejas sempre uma tartaruga Celeste e nunca percas a coragem de ser diferente" desta forma a vossa criança vai perceber que o livro é um tremendo incentivo a ele mesmo e não que o acham um menino pequenino.
E para terem noção de como gosto tanto deste livro eu teria adorado saber como a Celeste viveu a sua vida ou como o Pedro aplicou a lição que aprendeu.
Por fim, se a vida te der limões fazes uma limonada ou choras pela tua falta de sorte? A tartaruga Celeste não tem dúvidas sobre o que faria :)
"As estrelas são na verdade pequenos anjos da guarda e cada ser vivo tem direito ao seu. Quando a noite cai e olhamos para cima com atenção, a nossa estrela pisca ao de leve para nos dar a entender que continua a zelar por nós."
"Não é a carapaça que define a tua vida, és tu que defines a carapaça com que queres viver."
"Às vezes só temos de aprender a olhar para as coisas de uma perspectiva diferente."
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