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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Daniel Sampaio - Lições do abismo

E se chegasses a um ponto em que o cansaço é tanto que parece que já nada faz sentido?
Se já nem soubesses quem és e para onde deves ir?
Se achasses que te tornaste um fardo e que ninguém te percebe ou te ama o suficiente?

As relações entre pais e filhos podem ser complicadas - umas vezes mais outras menos - mas todos os filhos em algum momento da sua vida vão sentir que os pais não os compreendem e que são eles contra o mundo.
Neste livro Daniel Sampaio, conta-nos a história de dois jovens que acreditam que os pais não entendem os seus problemas, as suas emoções, os seus sentimentos e que fogem de casa achando que isso resolverá tudo.
Daniel Sampaio explora essas emoções e vai-nos dando conta, não só do que os jovens "incompreendidos" sentem, mas também o que sentem as mães destes dois jovens mostrando-nos um lado que muitas vezes nos esquecemos que existe, o dos pais.
Daniel Sampaio é um psicoterapeuta mais do que habituado aos dramas da alma humana e neste livro ele tem a capacidade de nos fazer entrar nesses dramas, de nos mostrar mais do que um lado da mesma história e de nos fazer ver as coisas de vários pontos de vista.
O livro tem alguns termos técnicos que exigem alguma concentração na leitura mas é sem dúvida um grande livro.


"Estou morto de mais para poder morrer, acreditei ter força suficiente para não me asfixiar, apenas pude suspirar quando quis soltar um grito."

"O tempo passa depressa, o dia esvai-se dentro de mim, os primeiros traços de escuridão de há uns meses ocupam cada vez mais espaço. Na mais profunda solidão espero ser livre, desesperado e abandonado choro, não tenho forças para lutar por muito mais tempo."

"Tenho de tornar claro que não desejo ser preocupação para ninguém, não quero que sofram por minha causa, gostaria apenas de um pouco de calma neste corpo tão cansado."

"Agradeço aos meus pais terem sabido tomar conta do meu corpo. A culpa de o detestar não é da sua responsabilidade. Tudo surgiu de repente."

"Apesar da minha raiva continuo a ser ninguém. Caminho por entre sonhos e procuro a serenidade, busco a ilusão de que este momento vai passar e vou surgir de novo, no espelho, sem vergonha de mim."

"Como uma criança nascida na chuva, condeno-me a ficar para sempre gelado por dentro."

"Oiço-me mas não me escuto."

"Quem sabe a minha queda não me deu forças para continuar, quem sabe se estive no paraíso da solidão ou no limbo que precede a felicidade."