Quando passamos a ser invisíveis e já ninguém quer perder tempo a tentar mudar o mundo?
Quando a burocracia engole os sonhos ou quando a realidade nos cria carapaças que nos roubam a humanidade?
Este é daqueles livros que me conquistou completamente, não pelo romance paralelo que o livro nos conta - porque ai confesso que o achei completamente dispensável - mas sim porque nos mostra a dura realidade de algumas coisas que partimos do principio que são básicas e fáceis de resolver.
A personagem do livro é uma vereadora da Câmara de Lisboa, que nos vai mostrando algumas realidades dos bairros problemáticos da capital, como por exemplo a enorme burocracia que é necessária para fornecer uns meros cortinados a uma escola - algo que me deixou de boca aberta - ou como muitas vezes as crianças deste bairro são deixadas à sua sorte, sem ninguém que se interesse por elas, sem ninguém que se preocupe de verdade, que lhes mostre o rumo, que lhes diga que o futuro existe e pode ser risonho.
Um livro que nos faz pensar e ver além da nossa "bolha" e nos mostra problemas que nem sabemos que existem.
Recomendo muito.
"Os homens podem não ser todos uns cabrões."
"Há contas que se fazem com o coração."
"Falo com o coração, que é a unica maneira que tenho de me safar. Na minha ingenuidade, acredito que também quem ouve, ouve com o coração."
"A vida é uma idade quase toda feita de espaços em branco."
"Ou me perco aqui ou fujo daqui. Por uns tempos, preciso de recuar, preciso de ir ver outros caminhos. Preciso de um campo aberto para as lágrimas, preciso da distância de um lugar secreto, de uma memória, se calhar da distância de uma oração. Preciso de me ir embora daqui."
"Ser criança cansa... Ser adulto cansa muito mais."
"Tenho de aprender a blindar-me. Isso aprende-se? Onde?"
"O tempo não se controla."
